FOMO e higiene da informação para traders – como a seleção molda as decisões
Um movimento rápido ou o lucro alheio podem dar a sensação de que uma oportunidade escapa. O estímulo não indica se as condições do seu método estão cumpridas; um resultado publicado não mostra todas as tentativas e perdas. Este artigo distingue entrada planeada e decisão sob pressão, explica a distorção dos resultados visíveis e organiza o fluxo informativo. Em vez de proibir fontes universalmente, atribui-lhes funções, janelas de utilização e condições de decisão registadas. É anterior ao reinício do artigo precedente: trata da informação recebida antes da ordem.

- Vê o numerador, não o denominador – o resultado publicado é uma amostra escolhida por uma regra de publicação; o retrato do conjunto não aparece no ecrã
- O FOMO verifica-se nos registos – interessa se a condição existia antes do estímulo e quanto o preço de entrada se afastou do nível escrito
- Entrar após um movimento não é automaticamente um erro – se o cenário era anterior, parece igual no gráfico mas é diferente no processo
- Até um filtro ligeiro distorce a imagem – no cálculo ilustrativo, a frequência da “semana perfeita” aumenta mais de cinco vezes sem ninguém mentir
- Mais fontes não significa mais informação – muitas repetem o conteúdo, com custo em preparação e número de decisões
- A higiene da informação não cria vantagem – limita decisões sob pressão; a base do método é avaliada noutro lugar
1. O que não se vê no resultado alheio – o denominador
Comecemos pela aritmética, antes da psicologia. Num resultado publicado vê um numerador: uma conta, semana ou captura de ecrã. Para significar algo, precisa do denominador: quantos poderiam mostrar resultados e quantos não o fizeram. Não está no ecrã e geralmente não pode ser reconstruído. Não é culpa de um serviço ou autor; acontece quando quem publica decide se publica.
É mais claro num cálculo que, por hipótese, não contém competência.
Pressupostos (valores ilustrativos, não dados de mercado): 1 000 contas · 5 sessões · probabilidade de lucro por sessão de 0,5 · sessões independentes · sem vantagem, puro lançamento de moeda.
A probabilidade de uma conta lucrar nas cinco sessões calcula-se por composição, isto é, multiplicação: 0,55 = 1/32 = 3,125%. O cálculo aditivo, 5 × 50% = 250%, não tem sentido, precisamente por isso convém contrastá-los. O método não é um pormenor: determina o significado do número.
| Sessões lucrativas em cinco | Fórmula | Probabilidade | Número esperado de contas em 1 000 |
|---|---|---|---|
| 5 em 5 | 1/32 | 3,125% | 31,25 |
| 4 em 5 | 5/32 | 15,625% | 156,25 |
| 3 em 5 | 10/32 | 31,25% | 312,5 |
| 2 em 5 | 10/32 | 31,25% | 312,5 |
| 1 em 5 | 5/32 | 15,625% | 156,25 |
| 0 em 5 | 1/32 | 3,125% | 31,25 |
| Total | 32/32 | 100% | 1.000 |
Verificou-se cada célula pela fórmula, combinações divididas por 32; a soma pelo total, 32/32 e 1 000 contas; e a coerência de cada linha, contas = probabilidade × 1 000. Os valores fracionários não foram arredondados, pois isso faria o total deixar de conferir; é o total que comprova não faltar nada.
Agora o essencial: filtro rígido em que só publica quem lucrou nas cinco sessões. Entre publicações, a “semana perfeita” representa 100%; na população de origem, 3,125%. Há duas formas de apresentar a diferença: por subtração, 96,875 pontos percentuais; em termos multiplicativos, frequência sobrestimada 32 vezes. O número 32 não é coincidência: é exatamente 25 no cálculo acima.
O filtro rígido é pouco realista, pois também se publicam semanas piores. Use um ligeiro: todos com 4 em 5 ou 5 em 5 publicam. São 156,25 + 31,25 = 187,5 publicadores, 18,75% da população. Neles, a semana perfeita representa 31,25 / 187,5 = 16,667%, face a 3,125%. Diferença aditiva: 13,54 pontos percentuais; razão: sobrestimação de 5,33 vezes. Ninguém mentiu, falsificou imagens ou resultados, mas o retrato deslocou-se mais de cinco vezes.
O que este cálculo não diz. Não diz que quem publica não tem competência: a moeda isola o efeito do filtro, não descreve resultados de alguém. Não diz a distribuição real no retalho, impossível de determinar pelas publicações visíveis; esse é o ponto. Diz apenas: o filtro de publicação exagera a imagem mesmo quando todos os resultados apresentados são verdadeiros. Porque uma sequência longa de perdas pode ser matematicamente normal e não sinalizar falha é explicado no artigo sobre trading sob incerteza.
2. O FOMO aparece no registo, não no sentimento
FOMO significa fear of missing out (medo de ficar de fora). Em 2013, Przybylski e colegas desenvolveram uma escala e estudaram os seus correlatos[1]; não criaram o termo. O artigo incluiu três estudos: amostra internacional em linha (N = 1 013), amostra representativa britânica de adultos em idade ativa (N = 2 079) e 87 estudantes do primeiro ano. Tratou de bem-estar e redes sociais, não de finanças. O conceito pode descrever pressão, mas transferir os resultados para o trading é extrapolar.
É necessária uma definição verificável em documentos. Sentir que algo escapa não é erro por si só nem base de procedimento: não aparece no histórico e, reconstruído depois, já é distorcido pelo resultado.
Definição de trabalho. Examinamos casos em que a pressão para não perder uma oportunidade acompanha um desvio dos critérios anteriores ao estímulo. O rasto é a diferença entre plano e execução. Nem toda a mudança é FOMO: uma atualização prevista no método pode ser válida. O registo de infração, por si só, não prova que emoção a causou.
A vantagem prática é permitir verificação. A tabela mostra mudanças observáveis e, igualmente importante, o que cada rasto ainda não prova.
| O que se vê no registo | Como medir | O que ainda não prova |
|---|---|---|
| Entrada sem condição cumprida | Campo da condição vazio ou preenchido após a ordem | O método pode mudar; verifique se a mudança está escrita e é anterior |
| Preço de entrada longe do nível escrito | Diferença entre ordem e nível da preparação | Slippage e gap não equivalem a perseguir o preço; verifique primeiro se havia nível escrito |
| Intervalo muito curto entre estímulo e ordem | Horas do estímulo e da ordem | Uma decisão rápida pode estar planeada; com condição pronta, o tempo não é acusação |
| Passo da lista ignorado | Falta de visto com o restante padrão preservado | A lista pode estar mal concebida; uma lista sem efeito é um problema separado no artigo sobre procedimentos |
| Instrumento fora da lista | Instrumento confrontado com a preparação | Pode alargar a lista se o registar antes da sessão |
| Tamanho fora da regra | Valor confrontado com o plano | A regra pertence à gestão do risco e pode mudar; importa quando mudou |
| Entrada pela indicação alheia sem condição própria | Campo “origem da decisão” | Informação alheia pode ser um dado válido para a condição própria; ver a parte 7 |
A última coluna não é evasiva. Rotular depois um comportamento de FOMO não prova que a pressão o causou; continua a ser um rótulo ajustado ao resultado. Antes disso, verifique explicações simples: mercado naquele momento, com spread alargado, gap e maior volatilidade, instrumento, hora e erro de utilização da plataforma. A psicologia entra por último.
Separe também FOMO de um comportamento parecido mas correto: reagir a informação que muda depressa. Se uma divulgação altera o cenário e o método prevê reagir, rapidez é execução do método, não sintoma de pressão. A diferença mantém-se: a condição de reação existia antes ou nasceu durante o movimento?
3. Anatomia de um episódio: do estímulo à ordem
O episódio tem um percurso repetível e deixa rastos diferentes em cada ponto. Quatro elos, com observação e possibilidade de interrupção em cada um.
1. O estímulo. Movimento no gráfico, alerta, notícia, resultado alheio. É neutro e não pode ser proibido: alguns são necessários ao método. Importa chegar sem condição preparada para o instrumento. Rasto: hora e origem, o único campo impossível de reconstruir depois.
2. A narrativa. Surge a frase que preenche a lacuna: “é a oportunidade”, “está a começar”, “não haverá outra”. A história substitui a condição ausente. Chamar-lhe falha de pensamento não explica. Rasto: justificação escrita antes da ordem; depois descreve outro conhecimento.
3. A pressão temporal. O horizonte pode reduzir-se a “agora” enquanto o preço segue. Registar quando notou o estímulo e enviou a ordem mede o intervalo. Não mede, por si só, pressão psicológica nem exclui uma resposta rápida válida. Sem ambas as horas não reconstrói precisamente a reação, embora possa verificar condições e momento da justificação.
4. A entrada sem plano. A ordem vem primeiro, a justificação depois. Um sinal: a justificação contém informação inexistente no momento da decisão.
Perseguir o preço é um caso particular do quarto elo, a definir porque o termo é amplo. São entradas sucessivas cada vez mais afastadas de um nível previamente escrito. Sem nível não há o que perseguir, apenas entrada após movimento, avaliada de outra forma na parte 4. O rasto é numérico: diferença entre preço e preparação em tentativas sucessivas. Se cresce, há perseguição; sem nível, há falta de preparação, outro problema e outra correção.
O ponto de intervenção decorre da cadeia. Mais tarde custa mais: no quarto elo resta uma decisão sob pressão, a salvaguarda mais fraca, explicada no artigo sobre procedimentos como substituto do autocontrolo. A intervenção menos onerosa fica entre primeiro e segundo elos, nas regras informativas anteriores ao estímulo, tema da parte 7. A passagem do estado à ordem pertence ao artigo sobre emoções e impulsividade.
4. Entrada após um movimento que não é FOMO
É necessário um contraexemplo para que o artigo seja refutável e útil. Entrar após um movimento não é, por si só, sintoma de nada. As duas sequências são ilustrativas, sem experiências pessoais, datas, montantes ou nomes.
Partilham instrumento, movimento, hora, preço e resultado. No gráfico são indistinguíveis.
Sequência A. Na preparação escreveu-se: “se o preço ultrapassar X e voltar, entro se ocorrer Y; sem Y, não entro”. O movimento começou sem o trader, voltou a X, ocorreu Y e seguiu-se a entrada. Entrar após o movimento é executar um registo.
Sequência B. Sem preparação. O movimento foi o estímulo, a condição nasceu ao observá-lo e a justificação veio depois da ordem. No gráfico parece A.
A única diferença verificável é existir um registo anterior à decisão, datado antes do estímulo. Não o resultado. Se A perder, continua a executar o plano. Se B lucrar, continua sem condição: é o caso didático mais perigoso, pois o lucro reforça o comportamento sem base. Separar qualidade da decisão e do resultado pertence ao artigo sobre resultado e processo de decisão.
Uma terceira sequência: o “não entrar” deliberado. Y não ocorreu, não entrou e o preço seguiu. Parece oportunidade perdida no resultado; no processo é um resultado correto do procedimento – tão correto como entrar. “Não entrar” desaparece do histórico e das estatísticas; uma semana depois a memória guarda os movimentos perdidos. Precisa de rasto próprio: hora, instrumento, nível e condição não cumprida.
É o mesmo problema do denominador, do seu lado. Sem registar não entradas, a autoimagem também é filtrada: restam entradas no numerador, somem situações em que o procedimento funcionou e nada aconteceu. Compara os resultados filtrados dos outros com a própria memória filtrada. É difícil uma combinação pior.
5. Comparações e prova social – o que está documentado
Festinger descreveu a avaliação pessoal por comparação em 1954[2]. É um texto teórico, sem amostra, medição ou efeito; não serve como prova empírica. Retém-se uma observação verificável no trading: a comparação social ocupa a falta de critério objetivo.
No trading isso é forte. O resultado curto contém muito ruído e não mede continuamente a qualidade: uma semana não separa processos bons e maus. O vazio é facilmente ocupado pelo resultado visível alheio. Por isso, conhecer a inutilidade da comparação não a elimina: sem registo do processo, falta substituto.
A comparação responde à posição: como estou face aos outros? A prova social responde ao que é correto fazer, inferindo-o do número de pessoas que o fizeram. No registo, a condição é dada por cumprida porque algumas pessoas entraram ou mostraram resultados no instrumento. A contagem substitui a condição, sem fornecer dados usados pelo método.
Como reconhecer o padrão? Num conjunto ilustrativo de trinta entradas, registe se o instrumento constava da preparação e se aparecera nas fontes. Os grupos podem sobrepor-se: um instrumento planeado pode ser popular. Compare com a hora da condição e infrações. Pode sugerir uma hipótese, mas um grupo maior não estabelece causa. Trinta é janela exemplificativa, não limiar de fiabilidade; não reconstrua exposição desconhecida pela memória.
Não é prova social, neste sentido, usar informação alheia filtrada pela própria condição, como se explica abaixo. Nem entrar ao mesmo tempo com condição anterior: processos independentes podem coincidir. Nem a popularidade em si: volume elevado pode ser um dado com função definida. Isso não o torna recomendação.
Não tenho uma fonte que meça este conceito no trading: não encontrei ligação medida entre entradas visíveis e decisões no retalho, nem a invoco. Limito-me ao verificável no histórico e nas anotações. Uma consequência da primeira parte mantém-se: a avaliação da prova social também depende da seleção do visível. Conta quem mostrou. Quem entrou sem publicar ou fechou com perda não entra. “Tanta gente faz” é numerador sem denominador, como no cálculo binomial, contando entradas em vez de resultados.
Na investigação comportamental, o mais próximo é Barber e Odean, 2008, sobre atenção[3]. Contas reais de investidores individuais dos EUA, ações: compram em termos líquidos ativos que chamam a atenção por volume anormal, variação extrema ou notícias. A direção repete-se em vários conjuntos independentes no artigo, o seu ponto forte.
Os limites acompanham o resultado. Os autores explicam parte da assimetria pela escolha entre milhares de ações ao comprar, versus posições existentes ao vender; é interpretação, não refutação do estudo. Dados observacionais não atribuem causa a cada decisão. Há várias comparações e medidas, não um efeito universal transferível. O mercado é acionista; não estabelece o mesmo mecanismo no FX de retalho.
Retém-se com cautela a coocorrência de estímulos chamativos e compras entre investidores individuais em ações. Não está documentado que ver resultados alheios cause perdas no forex de retalho. Não conheço estudo que o meça com população, método e dimensão do efeito. Quem o afirmar deve apresentar esses três elementos, não “os estudos mostram”. Até lá, descreva-se o comportamento e desenhe-se uma regra.
Com que comparar-se? Só conhece o denominador no confronto do próprio registo com o anterior: decisões com condição antes do estímulo, não entradas registadas e afastamentos do preço face à preparação. São grandezas pouco fotogénicas, mas conhece as tentativas totais, algo que não sabe nem saberá dos resultados alheios.
6. Custo da atenção e fontes redundantes
O problema não é informação, mas quando chega e quanto repete o mesmo conteúdo.
Pressupostos (valores ilustrativos): 12 fontes · 9 repetem conteúdo · 3 trazem conteúdo independente · 4 minutos por fonte.
Este cálculo é aditivo: parcelas do mesmo todo somam-se; não há probabilidades a multiplicar. 9/12 = 75% de redundância, 3/12 = 25% independente, 75% + 25% = 100% e 9 + 3 = 12. Tempo: 12 × 4 = 48 minutos face a 3 × 4 = 12, diferença de 36, os mesmos 75%. Mede tempo e repetição, não qualidade decisória nem promete resultados.
Excesso de conteúdo prejudica o julgamento? Em três experiências de previsões de futebol americano, Tsai, Klayman e Hastie encontraram aumento de confiança superior ao de precisão[5]. A precisão nem sempre ficou igual. Os participantes eram pagos e havia prémios de desempenho, sem negociar capital próprio. O artigo apresenta testes, não uma medida universal de deterioração. Conheciam o desporto, as amostras eram pequenas e não havia traders. A aplicação é uma extrapolação prudente.
Dados mais robustos tratam de outro assunto, mas na mesma direção. Barber e Odean analisaram 66 465 famílias numa corretora de baixo custo dos EUA, no mercado acionista de 1991–1996[4]. As mais ativas renderam cerca de 11,4% líquidos anuais, a média 16,4%, as menos ativas 18,5% e o mercado 17,9%. Uma amostra, corretora e período de seis anos; o artigo não determina a relação fora deles, nem invocamos outro que a tenha verificado.
Três limites evitam engano: ações e famílias, não forex; parte substancial da diferença são custos, mostrando o preço de negociar mais, não dano do excesso informativo; atividade não atribuída aleatoriamente, logo grupos autoselecionados.
Em conjunto, não estabelecem que mais informação aumente automaticamente ordens ou reduza precisão no FX. Ilustram confiança a crescer mais que a precisão e custos de atividade intensa. Rever repetições gasta tempo, como calculado. A regra deve eliminar repetição desnecessária e proteger condições; o efeito pessoal na execução avalia-se separadamente.
O teste prático é uma pergunta, feita depois de ler: este conteúdo muda alguma condição que escrevi? Três respostas: muda, repete ou comenta. Só a primeira informa a decisão. As restantes podem ter valor por outros motivos e devem ficar fora da janela de decisão.
7. Fluxo de informação concebido antes do estímulo
A regra definida durante o movimento é definida por ele. Como o estímulo pode mudar critérios, estes devem antecedê-lo, juntamente com a regra do que pode chegar e quando.
Atribua a cada fonte uma função na decisão. Indica quando e porquê a usa, sem substituir a verificação da fiabilidade. “Boa” ou “má” não organiza o fluxo. A tabela é uma configuração exemplificativa, não recomendação pronta; outro horizonte ou método pode exigir colunas diferentes.
Não existe categoria proibida. A terceira coluna pode servir aprendizagem e confronto de teses, fora da janela de decisão. Cortar dados usados pelo método é um erro, não higiene. Interpretar divulgações macro pertence à análise fundamental, e o calendário ao material sobre horários e calendário. Higiene define o quê, quando e para quê; a semelhança com exigir silêncio é superficial.
O segundo passo são janelas. Em vez de “quantas vezes por dia posso ver”, sem resposta universal, defina blocos com permissões diferentes: preparação com três colunas, decisão com a primeira, revisão com primeira e terceira. É outro exemplo adaptável; número e duração dependem do horizonte, sem receita.
O terceiro passo são procedimentos. Cada um tem cinco campos; sem um deles não se executa, verifica ou refuta.
| Procedimento 1 – movimento iniciado sem si | |
|---|---|
| Condição de ativação | Vê um movimento num instrumento sem nível ou condição escritos na preparação de hoje. |
| Ação | Não ordena. Escreve instrumento, hora e nível ao notar o movimento. Verifica se existe condição anterior. Se existir e estiver cumprida, entra segundo ela; se não estiver cumprida, não entra. Se não existir, passa o instrumento à próxima preparação e não coloca ordem nesta sessão. |
| Critério de conclusão | Uma de três decisões escrita: entrei conforme à condição / não entrei porque faltava a condição / não havia condição, passa à preparação. Sem registo, continua em curso. |
| Rasto de auditoria | Registo com duas horas, observação e decisão, mais a fonte do estímulo. |
| Critério de falha | “Sem condição, passa à preparação” acaba sistematicamente em entrada na mesma sessão; ou deixa de escrever embora continue a entrar fora da lista. O procedimento não funciona: exige forma mais rígida ou melhor adaptação ao trabalho. |
| Procedimento 2 – janela informativa | |
|---|---|
| Condição de ativação | início de preparação, sessão ou revisão. |
| Ação | Verifica apenas fontes permitidas, pela ordem antecipada. Não abre a terceira coluna na decisão, pois não altera condições; o valor aparece fora desse bloco. |
| Critério de conclusão | Fim da lista atribuída ou do bloco, o que chegar primeiro. |
| Rasto de auditoria | Valor de referência recolhido antes da primeira janela: entradas sem condição escrita em tantas sessões quantas terá a comparação. Sem o número, o critério de falha é inaplicável; conta-se primeiro e só depois se inicia a janela. Mantenha ainda lista e horas das fontes no mesmo número de sessões e se cada fonte mudou alguma condição. |
| Critério de falha | Após as sessões acordadas, as entradas sem condição não diferem das anteriores; ou a preparação ocupa o tempo da revisão. O primeiro sugere problema noutro lugar; o segundo, ritualização da regra. |
| Procedimento 3 – indicação direcional alheia | |
|---|---|
| Condição de ativação | recebe uma indicação externa específica de compra ou venda. |
| Ação | A indicação não fundamenta a ordem. Regista-a com origem e hora e confronta com a sua condição. Se esta estiver cumprida independentemente da indicação, a decisão é sua e isso fica escrito; se não, não entra. |
| Critério de conclusão | Registo que responde se a condição própria estava cumprida antes de considerar a indicação. |
| Rasto de auditoria | Campo “origem da decisão” preenchido antes da ordem: condição própria ou indicação alheia. |
| Critério de falha | O campo é preenchido após conhecer o resultado ou fica vazio na maioria das entradas. Sem dados não pode concluir sobre si com essa base. |

8. O que a higiene da informação não resolve
Antes de atribuir entradas fracas à pressão informativa, procure explicações: instrumento, hora, volatilidade, mudança do método ou custos. Podem coexistir com estímulos informativos. Não encontrar explicação simples não prova efeito informativo; continua hipótese. Os limites de rotular posteriormente estão no artigo sobre vieses cognitivos.
Há ainda uma resposta igualmente admissível: pode ser ruído. Cerca de uma dúzia de operações não separa mudança do processo e variância. Nenhum procedimento altera isso. Se ao fim de uma semana parece funcionar, pode estar a confundir variância com efeito.
Alguns problemas parecem FOMO, mas pertencem a outros artigos. Entradas após perdas para recuperar uma perda concreta são revenge trading e tilt. A ausência de interrupção pertence aos protocolos de reinício. Avaliar decisões pelo desfecho pertence a resultado e processo. Verificar o mercado à noite por fadiga e hora pertence a sono, fadiga e stress.
Por fim, uma frase antes da sessão pode mudar mais do que listas de bloqueios: condição para entrar, para não entrar e hora do registo. Na próxima semana pode bastar como procedimento, pois distingue registo anterior ou posterior ao estímulo. Como manter e ler esses dados está no artigo sobre o diário de trading. O efeito do estado físico no cumprimento é tratado no artigo seguinte desta secção.
FAQ – perguntas frequentes
Como sei se foi FOMO ou uma entrada normal?
Devo deixar de ler notícias?
Não entrar é desperdiçar uma oportunidade?
Os resultados alheios continuam a afetar-me. O que fazer?
Uma dieta informativa melhora os resultados?
Fontes e referências
- Przybylski, A.K., Murayama, K., DeHaan, C.R., Gladwell, V. (2013). "Motivational, emotional, and behavioral correlates of fear of missing out." Computers in Human Behavior, 29(4), 1841–1848. Três estudos correlacionais: internacional N = 1 013, britânico representativo em idade ativa N = 2 079, estudantes do primeiro ano N = 87. Escala FOMO e correlatos de bem-estar e redes sociais. Não estudou trading nem finanças; aplicação é extrapolação. Fonte.
- Festinger, L. (1954). "A Theory of Social Comparison Processes." Human Relations, 7(2), 117–140. Texto teórico sem amostra, medição ou efeito. Fonte do conceito, não prova sobre traders. Fonte.
- Barber, B.M., Odean, T. (2008). "All That Glitters: The Effect of Attention and News on the Buying Behavior of Individual and Institutional Investors." The Review of Financial Studies, 21(2), 785–818. Contas reais dos EUA, ações. Compras líquidas de ativos com atenção por volume, variação extrema ou notícias; direção repetida em vários conjuntos. A assimetria de escolha compra–venda integra a explicação dos autores, não uma crítica. A transferência para FX não foi demonstrada. Fonte.
- Barber, B.M., Odean, T. (2000). "Trading Is Hazardous to Your Wealth: The Common Stock Investment Performance of Individual Investors." The Journal of Finance, 55(2), 773–806. 66 465 famílias, corretora americana de baixo custo, ações, 1991–1996. Retornos líquidos anuais aproximados: mais ativas 11,4%, média 16,4%, menos ativas 18,5%, mercado 17,9%. Custos explicam parte substancial; atividade não aleatória, grupos autoselecionados. Fonte.
- Tsai, C.I., Klayman, J., Hastie, R. (2008). "Effects of Amount of Information on Judgment Accuracy and Confidence." Organizational Behavior and Human Decision Processes, 107(2), 97–105. Três experiências com estudantes de Chicago (N = 30, 20 e 40), previsões de futebol americano; familiaridade com o desporto, pagamento e prémios. Informação aumentou confiança mais do que precisão. Não prova precisão inalterada, ausência de efeitos ou fenómeno em FX. Fonte.
Correções de fontes da versão anterior. Foram retiradas seis referências e respetivas afirmações. Alter (2017), Irresistible, e Taleb (2007), The Black Swan, livros populares usados como prova de mecanismo. O aviso da CFTC, Customer Advisory: Beware of Promoters of Forex Trading (2019), era citado sem população ou efeito. O Client Sentiment Data do IG Group tratava clientes de um prestador, sem população ou método descritos. A Tetlock (2005), Expert Political Judgment, atribuía-se afirmação não sustentada. Heimer e Simsek (2019), Should Retail Investors’ Leverage Be Limited?, tratava limites de alavancagem mas era citado para comportamento coletivo. Não foram acrescentadas fontes substitutas para as afirmações retiradas.