Qualidade de execução — slippage, requotes e melhor execução

O preço apresentado na plataforma pode diferir do preço a que a tua ordem é executada. Também importam a comissão, o spread no momento da operação, o tempo de resposta e se a ordem chega a ser executada. Mesmo pequenas diferenças podem alterar o resultado de uma estratégia, sobretudo se o objetivo for de poucos pips. Este artigo explica como registar ordens de uma conta real, calcular slippage favorável e desfavorável e comparar resultados em condições semelhantes. Um diário de exemplo e um cálculo anual ajudam a transformar essas observações em custos sem tirar conclusões prematuras sobre a causa de uma execução individual.

Tira conclusões de observações comparáveis em contas reais; nem um resultado isolado nem uma designação de modelo estabelecem a qualidade de execução.
Pontos essenciais
  • A qualidade de execução é um custo oculto de negociação — o spread do preçário é apenas o início. Slippage, requotes e rejeições podem duplicar o custo real de uma operação
  • O slippage pode ser assimétrico — a distribuição descreve-se por três proporções: positiva, zero e negativa. Se o slippage negativo dominar numa amostra grande, verifica primeiro as condições de negociação, os horários e o teu próprio fluxo. A distribuição não permite concluir qual é o modelo de execução — esse é o tema do artigo 12.2
  • Requotes e rejeições consomem a vantagem de duas formas diferentes — uma rejeição retira-te a entrada, um requote piora-a. Cinco requotes durante os NFP normalmente não são cinco entradas perdidas, mas uma entrada a um preço claramente pior — e um R:R calculado antes da divulgação que já não se mantém. Por isso, a taxa de execução, a taxa de requotes e a taxa de rejeição são contadas separadamente
  • A demo não serve para avaliar a execução, mas para aprender a plataforma, a lógica do sistema e os teus erros operacionais — porque o modelo de execução de uma conta demo é definido pela corretora, não por uma norma obrigatória. Algumas empresas afirmam que as condições demo correspondem às reais; noutras, a simulação suaviza a execução. Só dinheiro real produz números significativos
  • A política de execução de ordens é obrigatória, mas pertence a uma empresa concreta – MiFID II exige a melhor execução à entidade jurídica indicada no teu contrato, não à marca. O relatório anual RTS 28 deixou de ser obrigatório em todos os Estados-Membros que concluíram a transposição — e aí a sua ausência já não é um sinal de alerta. Nos cinco Estados da UE que não tinham notificado medidas de transposição, a obrigação pode continuar em vigor
  • Mede a execução com números — um diário com dezasseis campos por ordem, uma amostra recolhida até a mediana e as três proporções deixarem de oscilar, a mediana e os percentis do slippage, a taxa de execução. No final, usa o slippage médio com sinal para o custo anual e a mediana para descrever uma execução típica, comparando-os com o custo do spread e da comissão

1. Porque a qualidade de execução determina o resultado

Uma estratégia no backtest gera 1,4 pips por operação, calculados com o spread de 0,2 pips do preçário. Numa conta real, o spread revela-se de 0,8 pips, o slippage médio é de −0,3 pips por execução e 12% das ordens nem chegam a concretizar-se quando a volatilidade aumenta. A qualidade de execução — o tempo de processamento de uma ordem, o preço e a probabilidade de execução — é uma componente direta do custo de cada operação, tão real como uma comissão ou um swap. O setor tem um termo para isso: alfa de execução — a diferença entre o resultado que presumias e o que efetivamente recebeste, devida apenas à execução. Para um cliente de retalho, é composto por rubricas que atuam sobretudo num sentido: spread mais largo do que o anunciado, slippage na entrada e na saída, entradas perdidas. Daí a observação de que, na prática de retalho, o alfa de execução costuma ser negativo — e é precisamente assim que deve ser interpretado: como uma observação editorial, não um parâmetro do produto. Não há por trás uma entidade identificada, uma conta ou um período de medição, e não encontrei dados públicos comparáveis para todo o mercado de retalho. Se é negativo no teu caso, e em que medida, é determinado pela tua própria medição da secção 6. A diferença entre backtest e conta real também não é um caso raro — acontece regularmente quando alguém testa numa demo idealizada e depois coloca a estratégia numa conta real sem medir a execução.

A mesma aritmética até ao fim — com valores ilustrativos
Pressupostos: EUR/USD, 0,10 lotes, entrada e saída por ordem de mercado, vantagem no backtest de 1,4 pips por operação calculada com um spread de 0,2 pips.
Spread acima do pressuposto do backtest: 0,8 − 0,2 = 0,6 pips por operação (pagas o spread uma vez por cada par entrada–saída).
Slippage: 0,3 pips × 2 execuções = 0,6 pips por operação.
Vantagem após custos de execução: 1,4 − 0,6 − 0,6 = 0,2 pips por operação.
As rejeições contam-se separadamente, porque não reduzem a vantagem por operação — reduzem o número de operações. De 100 sinais, 88 são executados, pelo que o resultado anual é 0,2 × 88 = 17,6 pips em vez de 1,4 × 100 = 140 pips. Multiplicar a vantagem por (1 − taxa de rejeição) é um erro de categoria e dá um número diferente do que resulta de contar as oportunidades perdidas.
Um CFD não é o mercado subjacente. Um cliente de CFD não negoceia diretamente FX à vista como um banco na EBS/Reuters. Negoceia o produto da corretora, com a sua própria camada de formação de preços, cobertura e internalização. «O mercado fez X» e «a corretora mostrou X» nem sempre são a mesma coisa.
Qualidade de execução: preço, resultado da ordem e tempo. Separa o custo monetário de uma oportunidade de entrada perdida.
Separa o custo monetário de uma oportunidade de entrada perdida. O artigo explica os pressupostos e as limitações.

Para um swing trader com um objetivo de 80 pips, 0,3 pips de slippage são ruído. Para um scalper com um objetivo de 3 pips, são 10% do lucro cedidos à partida. A qualidade de execução não é igualmente importante para todos os estilos de negociação, mas é mensurável em todos eles. E para cada estilo existe um limiar abaixo do qual a estratégia deixa de funcionar.

Três elementos do custo de execução invisíveis num preçário:

  • Slippage — a diferença entre o preço pedido e o preço de execução. Pode ser positivo (a teu favor) ou negativo (desfavorável para ti)
  • Requotes e rejeições — a corretora recusa executar ao preço pedido. Perdes a entrada e tens de enviar novamente a ordem a um preço pior
  • Alargamento do spread — o spread alarga-se com a volatilidade, no rollover e na abertura da sessão. O spread anunciado é um mínimo, não a norma

Cada um destes elementos é mensurável, mas o histórico de posições fechadas nem sempre contém todos os dados necessários. A demo pode simular slippage e rejeições, mas não permite determinar como se comportam numa conta real. A tua medição precisa de registos de preços, pedidos e respostas; a corretora pode não fornecer um relatório pronto dos teus custos de execução. A secção 6 descreve ferramentas úteis, juntamente com as limitações que deves verificar antes de as utilizar.

2. Slippage — o que é e porque pode ser assimétrico

O slippage é a diferença entre o preço a que enviaste uma ordem e o preço a que foi executada. Clicas em Comprar a 1,08420 e a execução chega a 1,08425 — são 0,5 pips de slippage negativo. Clicas em Comprar a 1,08420 e a execução chega a 1,08415 — são 0,5 pips de slippage positivo, a teu favor.

Num mercado real, pode haver slippage quando os preços mudam entre o envio e a execução da ordem. A duração depende da conta, da infraestrutura e das condições, pelo que não existe um valor universal em milissegundos. As diferenças de preço podem ser pequenas num mercado calmo e líquido, mas não podes presumir uma distribuição simétrica: a direção e o momento da entrada, a dimensão e o tipo de ordem também a afetam. Mede o slippage de ambos os sinais em condições comparáveis.

Duas distribuições conceptuais do slippage SIMÉTRICA 0 (Sem slippage) + Positivo − Negativo ✓ Slippage positivo transmitido ao cliente ASSIMÉTRICA 0 (Sem slippage) + Positivo − Negativo Sem observações positivas Causa por apurar O slippage desfavorável domina esta amostra Compara condições e documentos; a distribuição, por si só, não explica a causa.
Duas distribuições conceptuais. Slippage predominantemente desfavorável exige analisar condições, tipos de ordem e amostra; por si só, não demonstra manipulação nem lucro da corretora.
Distribuição da derrapagem: inclui a melhoria de preço. 20 execuções ilustrativas do artigo • não é uma comparação ECN versus market maker.
20 execuções ilustrativas do artigo • não é uma comparação ECN versus market maker. O artigo explica os pressupostos e as limitações.

O problema surge quando a distribuição do slippage está deslocada. Para o ver é preciso mais do que um número — precisas de três proporções e duas medidas de localização. Uma distribuição de slippage descreve-se sempre da mesma forma: percentagem de observações positivas, percentagem de zeros, percentagem de observações negativas, mais a mediana, um percentil da cauda e a maior observação individual. A proporção de zeros tende a ser omitida, mas importa: uma proporção elevada de execuções exatamente ao preço pedido diz algo sobre o tipo de execução e sobre como a corretora trata uma ordem dentro da janela de desvio — nada diz sobre honestidade. Sem essa proporção, limiares como «abaixo de 30% de observações positivas» não podem ser interpretados, porque não sabes de que são compostos os outros 70%.

Como se apresenta essa distribuição na prática, com números concretos e o protocolo completo para registar cada ordem, é mostrado na secção 7.

A regra da assimetria: A mera presença de slippage nada determina — o que conta é a sua distribuição. Se, numa amostra grande, a proporção de observações negativas exceder persistentemente a de positivas e a mediana for negativa, tens um resultado de medição que merece verificação, não uma causa identificada. Verificar significa repetir a medição nas mesmas condições: o mesmo instrumento, a mesma hora, o mesmo tipo de ordem e a mesma dimensão, na tua conta em dois períodos diferentes ou em duas contas distintas. Enquanto não tiveres essa comparação, uma distribuição deslocada descreve apenas a execução que recebeste, não a sua origem.

A mesma distribuição deslocada pode surgir por várias razões diferentes e nenhuma é visível a partir de uma conta de cliente. Pode resultar do perfil do teu próprio fluxo — se as tuas entradas coincidem sistematicamente com um impulso, compras acima da mediana do mercado sem intervenção de ninguém. Pode resultar do tipo ou da dimensão da ordem, da hora a que negoceias ou do mecanismo de um fornecedor de liquidez mais acima na cadeia. Também pode resultar da forma como a corretora gere a sua própria exposição.

O limite: onde este artigo termina. Esta parte responde à pergunta «que execução recebi efetivamente». A pergunta «porque é que a distribuição tem este aspeto» — modelos de execução, internalização, last look e janelas de rejeição do fornecedor de liquidez — pertence ao artigo 12.2 Modelos de execução: A-Book, B-Book e híbrido, onde os mecanismos são descritos com fontes. Não deduzes um modelo de execução de uma distribuição de slippage, tal como não deduzes o slippage esperado de um modelo de execução.

O slippage aumenta quando a liquidez é escassa — sessão asiática, minutos em torno do rollover (17:00, hora de Nova Iorque — vê a nota na secção 5), abertura de domingo. Também aumenta nas divulgações de dados macroeconómicos, quando os market makers retiram as suas cotações e o livro de ordens perde profundidade. Nesses momentos, nenhum modelo de execução te protege do slippage — a pergunta não é «houve slippage?», mas «como é a distribuição de toda a amostra, separando as janelas de volatilidade elevada da sessão normal?».

Como ler os dados de slippage de uma corretora: se indicar «slippage médio de 0,0 pips», verifica se é uma média aritmética (positivos e negativos anulam-se) ou uma mediana. Uma média aritmética de 0,0 pode significar 40% de observações positivas de +0,2 pips e 60% negativas de −0,13 pips. Verifiquemos: 0,40 × (+0,2) + 0,60 × (−0,13) = +0,08 − 0,078 = +0,002 pips, ou seja, aproximadamente zero — e é um zero genuíno, não um truque.

É preciso separar duas coisas que são constantemente confundidas. Assimetria do valor esperado significa que a distribuição do slippage te retira dinheiro sistematicamente — no exemplo acima não está presente. Assimetria da frequência significa que recebes uma execução pior com maior frequência, mesmo que a diferença seja menor — e aqui está claramente presente: 60% contra 40%. Para estratégias cujo resultado depende de atingir um nível específico — entradas limite, stop-loss apertados, ruturas de um intervalo estreito —, uma pequena deterioração mais frequente pode prejudicar mais do que o valor esperado sugere, porque decide se o nível chegou a ser atingido. Pede, por isso, a distribuição, não a média, e analisa separadamente os dois tipos de assimetria.

O slippage em ordens stop-loss e take-profit merece atenção própria — e os dois casos têm de ser mantidos separados, porque são constantemente tratados como equivalentes, apesar de se comportarem de forma diferente. Assim que o seu nível é atingido, um SL transforma-se numa ordem de mercado e fica, a partir desse momento, totalmente exposto ao slippage: um SL a 15 pips da entrada com 2 pips de slippage significa uma perda real de 17 pips. Um TP comporta-se de forma diferente: nas políticas de execução de algumas empresas é uma ordem limite, executada ao preço indicado pelo cliente ou melhor — portanto, sem slippage negativo, mas com o risco de não ser executada de todo. Noutras empresas e plataformas, a documentação prevê expressamente que uma ordem de realização de lucro está sujeita a slippage. Isto não é uma propriedade do mercado, mas um parâmetro de um contrato concreto — procura a resposta na política de execução de ordens e na especificação do instrumento da entidade com a qual assinaste, não numa regra universal

Calcula a consequência para a geometria da posição nas duas variantes, porque dão resultados diferentes. Numa entrada com stop de 15 pips e objetivo de 30 pips, a relação retorno/risco é de 2:1 no papel. Se o slippage afetar apenas o SL (2 pips), a relação real é 30 / 17 = 1,76:1. Se a política da tua empresa permitir slippage também no TP, acrescenta-o do outro lado: com 1 pip isso dá 29 / 17 = 1,71:1. A terceira variante, em que o TP é uma ordem limite e simplesmente não é executado, não realiza o objetivo planeado: a posição permanece aberta e o resultado final depende dos preços seguintes e da forma como é fechada. Regista este caso separadamente como uma saída não executada. Ao longo de mil operações, cada variante dá um total diferente, pelo que não deves adivinhar a variante — deves lê-la nos documentos e verificá-la no teu próprio diário.

Geometria da posição após slippage uma entrada, três variantes de execução No papel R:R 2:1 15 pips 30 pips SL entrada TP Slippage apenas no SL: 2 pips 30 / 17 = 1,76:1 17 pips 30 pips SL entrada TP Slippage também no TP: 1 pip 29 / 17 = 1,71:1 17 pips 29 pips SL entrada TP Terceira variante: TP como ordem limite TP não executado — a posição permanece aberta o resultado depende de uma saída posterior; regista-o como saída não executada A variante é determinada pela política de execução de ordens e pela especificação do instrumento — não pelo mercado.
A mesma ideia de operação em três variantes de execução. A variante aplicável é determinada pela política de execução de ordens e pela especificação do instrumento da entidade com a qual assinaste — não é uma propriedade do mercado, mas um parâmetro de um contrato concreto. O cálculo exclui spread e comissão.

Nem todos os tipos de ordem se comportam da mesma forma. Uma ordem limite funciona de forma diferente de uma ordem stop, e a diferença é assimétrica. Por definição, uma limite não pode ser executada a um preço pior do que o indicado — obténs esse preço ou melhor, ou a ordem simplesmente não é executada e perdes a entrada. Uma ordem stop, incluindo um stop-loss e um stop de entrada, funciona ao contrário: assim que o nível é atingido transforma-se numa ordem de mercado, e o seu slippage não tem limite superior. Por isso, uma limite não executada e um stop executado muito longe são dois custos diferentes que nunca devem entrar na mesma coluna: o primeiro reduz o número de operações, o segundo aumenta a perda numa operação. A exceção à regra de slippage ilimitado numa ordem stop é um produto contratual separado, não um modo de execução: uma ordem stop garantida, em que, mediante uma comissão, a corretora assume o risco de gap e se compromete contratualmente a executar ao nível indicado mesmo quando o mercado salta por ele. Não é um tipo de ordem padrão — algumas empresas oferecem-na em instrumentos selecionados e normalmente com condições próprias sobre horários, distância mínima ao preço e forma de cobrança da comissão. Se está disponível para ti e o que cobre exatamente é algo que lês na especificação do instrumento e nas condições do contrato — tal como no comportamento do take-profit acima.

Um gap de fim de semana é o caso limite da mesma mecânica. O mercado fecha na sexta-feira e abre no domingo a um nível diferente; entre esses dois preços não houve negociação, pelo que também não havia um preço a que executar. Um stop-loss normal colocado dentro do gap será executado ao primeiro preço disponível após a abertura, não ao nível que introduziste. Nenhum modo de execução altera isso — não é uma propriedade da corretora, mas uma descontinuidade das cotações. A única coisa que altera o resultado para o cliente é a ordem stop garantida descrita acima, se o teu contrato e a especificação do instrumento a previrem, e apenas na medida estabelecida nesses documentos.

Do mercado: CHF, 15 de janeiro de 2015. O SNB abandonou o câmbio mínimo EUR/CHF. Os stop-loss não eram uma garantia — eram ordens de mercado no caos. Os spreads evaporaram-se, as cotações desapareceram, as execuções chegaram a centenas de pips de distância. Em algumas corretoras, as contas dos clientes ficaram abaixo de zero. A FXCM Inc. afirmou num comunicado de 15 de janeiro de 2015 que os saldos negativos nas contas dos clientes tinham gerado um crédito a favor da empresa de cerca de USD 225 milhões[7]. Esse número era um valor preliminar, publicado no dia do acontecimento e continua a circular nesse papel até hoje — normalmente com a ressalva de que não era uma perda, mas uma quantia que os clientes deviam à corretora.

Os dados finais dizem outra coisa, pelo que os dois números aparecem aqui lado a lado. No relatório anual no Form 10-K para o exercício de 2016, apresentado à SEC em março de 2017, a mesma empresa surge sob outro nome: em 24 de fevereiro de 2017, a FXCM Inc. passou a chamar-se Global Brokerage, Inc., e é esse o nome da entidade registada na capa e no bloco de assinaturas do relatório, datado de 17 de março de 2017. Aí, a Global Brokerage, Inc. afirmou — numa citação traduzida da língua do documento: «Registámos perdas de saldos devedores de clientes de aproximadamente $275,1 milhões em 15 de janeiro de 2015 e, em 31 de dezembro de 2015, tínhamos recuperado aproximadamente $9,8 milhões, com uma perda líquida após recuperações de $265,4 milhões no exercício terminado em 31 de dezembro de 2015»[7]. Ou seja: USD 275,1 milhões de saldos devedores de clientes, dos quais cerca de 9,8 milhões foram recuperados até ao fim de 2015, ficando os restantes USD 265,4 milhões declarados pela empresa como perda líquida de 2015. A afirmação «não foi uma perda» é falsa face aos dados finais: só uma pequena parte dos saldos negativos dos clientes foi recuperada e o resto afetou o resultado da empresa. Para cobrir esse défice, a entidade — ainda como FXCM Inc. na altura — obteve financiamento de resgate.

A Alpari (UK) Limited entrou no Special Administration Regime para empresas de investimento em 19 de janeiro de 2015, conforme anunciado pela FCA num aviso aos clientes[8]; a empresa foi posteriormente dissolvida em 7 de setembro de 2018 e consta do registo Companies House com o estado «Dissolved» (dissolvida)[8]. Tudo o que aqui se escreve sobre ambas as entidades é uma descrição histórica de acontecimentos de 2015–2018 e não se refere a qualquer entidade ou marca atual; o estado de ambas foi verificado nos documentos fonte em 24 de agosto de 2026. A conclusão de 15 de janeiro de 2015 é limitada, e assim permanece: num vazio extremo de liquidez, a execução deixa de ser um retoque cosmético de uma estratégia e torna-se o principal parâmetro de risco. Isto não é uma afirmação sobre qualquer corretora que opere hoje.

Correção (24 de agosto de 2026). Uma versão anterior desta passagem e a entrada [7] da lista de fontes datavam o comunicado da FXCM de 16 de janeiro de 2015 e descreviam os USD 225 milhões como divulgados «no dia seguinte ao acontecimento». Foi um erro. O próprio documento — anexo 99.1 a um relatório de factos relevantes no Form 8-K — tem o cabeçalho «New York- January 15, 2015» e fala do acontecimento como atual: a empresa «anunciou hoje» e descreve a situação «após o anúncio do Banco Nacional Suíço esta manhã». A data de 16 de janeiro provém dos metadados de distribuição, não do conteúdo: a base EDGAR aceitou a apresentação em 15 de janeiro de 2015 às 20:32, com período de referência de 15 de janeiro, mas uma apresentação à noite recebe a data do dia útil seguinte — daí «16 de janeiro» no campo da data de apresentação e no caminho URL do distribuidor de notícias. O comunicado é de 15 de janeiro de 2015, dia da intervenção do SNB. Deixo este rasto porque a diferença entre a data de um documento e a dos seus metadados é uma causa frequente de datas erradas em textos sobre mercados.

3. Requotes e rejeições de ordens

Um requote ocorre quando a corretora recusa executar a tua ordem ao preço pedido e propõe um novo — normalmente pior. No modo Instant Execution, uma ordem é executada ao preço pedido ou dentro do desvio máximo declarado (parâmetro «desvio» / «desvio máximo» na janela da ordem) ou — se o mercado se tiver movido para fora dessa janela — é rejeitada ou recebe um requote. Isto não é uma garantia de preço: dentro do desvio definido, recebes um preço diferente sem nova pergunta, e as ordens stop e os gaps nas cotações também estão sujeitos a slippage neste modo. No modo Market Execution não há formalmente requotes, porque não existe um preço a confirmar — a ordem segue para execução ao preço disponível no momento do processamento, que pode estar arbitrariamente longe do pedido. A ausência de requote não significa, porém, que a ordem será sempre executada: em ambos os modos pode haver rejeição por falta de liquidez, por exceder um limite de volume ou por um erro de validação.

O que os requotes fazem à geometria da posição — cálculo com valores ilustrativos. Considera um dia de divulgação às 08:30, hora de Nova Iorque (ET), convertida para a tua hora local nessa data, a divulgação dos NFP e um setup totalmente definido: entrada planeada a 1,0840, stop-loss a 1,0830 (10 pips de risco), take-profit a 1,0870 (30 pips de lucro), ou seja, R:R de 1:3. A ordem Instant recebe cinco requotes em oito segundos; à sexta tentativa, a execução passa a 1,0862.

Recalculemos o que aconteceu aos números. O stop-loss mantém-se em 1,0830, porque é definido pela estrutura do gráfico e não pelo preço de entrada — o risco aumenta de 10 para 32 pips (1,0862 − 1,0830). O take-profit mantém-se em 1,0870, pelo que o potencial cai de 30 para 8 pips (1,0870 − 1,0862). O R:R cai de 1:3 para 8/32 = 1:0,25. A mesma análise, o mesmo nível, o mesmo plano — e uma posição que não vale a pena abrir. No modo Market Execution, o mesmo trader teria obtido uma execução sem requote, mas com slippage correspondente ao mesmo movimento de preço. Não são dois custos diferentes, mas duas formas do mesmo: o mercado afastou-se antes de a ordem ser processada.

Há uma conclusão prática e diz respeito ao comportamento, não à corretora: define antecipadamente um limite de novas tentativas — duas, por exemplo. O terceiro clique após um requote raramente é uma decisão fundamentada, e cada tentativa adicional degrada a geometria da entrada de uma forma que é invisível no gráfico depois do facto

Instant ou Market: preço e probabilidade de execução. O modo depende da conta e dos documentos • ambos podem resultar em rejeição.
O modo depende da conta e dos documentos • ambos podem resultar em rejeição. O artigo explica os pressupostos e as limitações.

A diferença entre um requote e uma rejeição: um requote propõe um novo preço, que o trader pode aceitar ou não. Uma rejeição é uma recusa simples — a ordem não é executada e não existe proposta alternativa. Na prática, nas plataformas MT4/MT5, ambos parecem semelhantes ao trader: uma janela com uma mensagem e a necessidade de voltar a clicar.

Quando um requote é normal:

  • Durante divulgações de dados macroeconómicos (NFP, CPI, decisões de bancos centrais) — a liquidez desaparece brevemente, o spread dispara e o preço move-se uma dúzia ou mais de pips em milissegundos
  • Na abertura da sessão após o fim de semana — um gap de preço causa uma descontinuidade nas cotações
  • Em pares de moedas exóticos com pouca liquidez — mesmo em condições normais de mercado

Quando um requote é suspeito:

  • No EUR/USD a meio da sessão de Londres com volatilidade normal — este instrumento tem a liquidez mais profunda do mundo
  • Apenas em ordens rentáveis — não surgem requotes quando o preço se move contra ti
  • Sempre no mesmo sentido — cada requote propõe um preço pior, nunca melhor
  • Em ordens maiores do que o habitual — o teu volume habitual passa sem problemas, enquanto um volume várias vezes maior recebe um requote. Um valor como «5 lotes» é aqui uma observação editorial, não um limiar do produto: não há por trás uma entidade identificada, uma conta, um instrumento ou um período de observação, e um limiar em lotes depende do instrumento, da hora, do tipo de conta e da entidade. O que se pode medir é o efeito: o custo de entrada aumenta com a dimensão da ordem, pelo que registas essa dimensão em cada observação — caso contrário, não há termo de comparação

Os requotes também têm um efeito que não aparece em nenhuma métrica de execução: após três recusas seguidas, um trader começa a perseguir o preço, envia uma ordem de mercado sem limite e entra com uma posição maior do que a planeada para «recuperar» a entrada perdida. O custo dessa reação pode exceder o do próprio requote — mas a responsabilidade é do trader, não da corretora.

Instant ou Market Execution — qual escolher: O modo Instant Execution limita o slippage à janela de desvio declarada, mas, fora dela, transforma-o num requote ou numa rejeição — ou seja, numa entrada perdida. O modo Market Execution não gera requotes, mas não limita o slippage nem exclui a rejeição. Escolher um modo desloca o custo entre «preço pior» e «sem execução»; não o elimina. Para um scalper em torno de dados macroeconómicos, uma entrada perdida pode ser mais cara do que o slippage; para um swing trader, a diferença costuma ser marginal. A pergunta correta é que modo suporta o teu contrato para esta conta e este instrumento, que desvio máximo permite e o que diz sobre isso a política de execução de ordens da entidade com a qual assinaste.

4. Taxa de execução e taxa de rejeição

Estas duas métricas são frequentemente descritas como opostas, embora exista um requote entre ambas. Para primeiras tentativas concluídas de ordens de mercado, usa três resultados mutuamente exclusivos que somem 100%: execução, requote e rejeição. Conta aqui uma execução parcial entre as execuções e apresenta o seu volume separadamente. Ordens limite pendentes, cancelamentos e expirações têm estados diferentes: não os forces para a categoria de rejeições; define uma população e um limite temporal de observação separados.

  • Taxa de execução — a percentagem de ordens executadas à primeira tentativa, independentemente do preço
  • Taxa de requotes — a percentagem de ordens às quais a corretora respondeu com uma nova proposta de preço; a ordem não foi executada, mas também não foi rejeitada
  • Taxa de rejeição — a percentagem de ordens rejeitadas sem proposta alternativa

Só esta divisão produz números que podes somar e comparar entre períodos. Se a tua ferramenta apresentar uma «taxa de execução» sem dizer onde contabiliza os requotes, não sabes o que estás a medir. Regista da mesma forma o conjunto sobre o qual contas: essas três percentagens calculadas sobre todas as ordens enviadas e sobre um subconjunto escolhido — por exemplo, apenas entradas, sem ordens de fecho — são duas medições diferentes e não têm de dar o mesmo número. A percentagem calculada apenas sobre ordens de entrada é designada abaixo por taxa de execução de entradas.

Sobre limiares absolutos. Este artigo não apresenta deliberadamente um único valor «correto» da taxa de execução, porque esse valor não existe isolado do instrumento, da hora, do tipo e dimensão da ordem e das condições de mercado — e não encontrei uma fonte primária pública que o publique para o mercado de retalho de forma comparável entre empresas. Também não existe aqui um limiar absoluto para a dimensão da amostra — embora esse limiar específico seja frequentemente citado como a única exceção à regra acima. O número de execuções a partir do qual as conclusões se tornam credíveis depende da hipótese testada, da dimensão do efeito esperada, do nível de confiança adotado e da potência do teste — e o artigo não tem base para derivar essas quatro grandezas, pelo que não deduz delas qualquer número nem as substitui por um limiar redondo. A dimensão da amostra entra, portanto, na mesma base que tudo o resto: por comparação. Recolhes até que acrescentar mais algumas dezenas de execuções deixe de mover visivelmente a mediana e as três proporções, e as amostras comparadas provenham de condições equivalentes, tendo em conta as diferenças de dimensão: o mesmo instrumento, a mesma hora, o mesmo tipo de ordem, a mesma dimensão — na tua conta em dois períodos diferentes ou em duas empresas distintas. É um critério prático, não um teste estatístico: diz-te quando parar de recolher, não que risco de erro estás a assumir.

Separadamente, sobre a conta demo. Uma taxa de execução de 100% é frequentemente citada como uma certeza para todas as contas demo. Não é: uma conta demo é implementada pela corretora e não existe um modelo único obrigatório de execução que vincule todas essas contas. Algumas empresas afirmam na documentação que as condições de negociação em demo são iguais às da conta real, e os guias de plataforma de alguns fornecedores preveem expressamente slippage em demo, bem como o cancelamento de uma ordem que não seja executada imediatamente após o envio. O que se aplica ao teu caso é determinado em dois passos: lês a descrição da conta demo e o guia da plataforma da tua própria empresa, e depois envias a mesma ordem em demo e em real — o mesmo instrumento, a mesma hora, a mesma dimensão — e registas ambas as execuções no diário. Nada disto altera minimamente o argumento deste artigo: a demo não é um teste da execução real. O que muda é a razão — não «porque em todo o lado há 100% e slippage zero», mas porque ninguém do outro lado tem de aceitar a operação, e a forma como a simulação funciona é uma decisão da corretora que só conheces depois de a verificar.

A secção 9 decompõe o mecanismo dessa diferença; para a taxa de execução, importa uma consequência: em demo, a percentagem é decidida pela regra seguida pelo servidor demo, enquanto numa conta real depende da disponibilidade de uma contraparte e das restantes etapas da cadeia de execução. Em real, cada ordem passa por uma cadeia: validação → encaminhamento → correspondência → confirmação. Em cada etapa, pode ser atrasada, rejeitada ou executada a um preço diferente.

A taxa de execução importa sobretudo para estratégias baseadas em entradas precisas — ruturas, recuos a um nível, reações a dados macroeconómicos. Se a tua estratégia gerar 3 sinais por dia e 1 ordem de entrada em cada 3 for rejeitada, perdes 33% das oportunidades. Se as rejeições se concentrarem nos sinais com o movimento de preço mais rápido, a perda efetiva é maior do que a percentagem de rejeições por si só — porque não desaparecem entradas aleatórias, mas as de maior valor esperado. Verificas essa distribuição de rejeições no teu diário; as causas do lado da cadeia de execução não podem ser deduzidas dele.

O que medir e como:

  • Taxa de execução em condições normais — calcula-a separadamente para sessões sem divulgações de dados. Interpreta-a apenas por comparação: com a tua medição anterior ou com uma segunda conta em condições idênticas
  • Taxa de execução durante a volatilidade — mede-a separadamente nas janelas de divulgação de dados (NFP, ECB, FOMC). É esperada uma queda nessas janelas em qualquer empresa; o que importa é a sua dimensão em relação à comparação, não o facto em si
  • Taxa de requotes e taxa de rejeição separadamente — as mesmas janelas, a mesma divisão. Somadas à taxa de execução, têm de dar 100%
  • Tempo de execução — a mediana e o percentil 95 do tempo entre envio e confirmação. Apresenta ambos os números; a mediana, por si só, esconde a cauda
  • Discriminação por instrumento — se as rejeições se concentrarem num símbolo, tens uma observação que merece verificação na especificação do instrumento e na política de execução de ordens. Ainda não tens uma conclusão sobre o modelo de execução

Antes de medires o tempo, determina exatamente o que estás a medir. O «tempo de execução» não é uma única grandeza, mas a soma de vários segmentos, a maioria dos quais não consegues observar separadamente:

  1. ping de rede — o tempo que um pacote demora a chegar ao servidor e voltar; não contém qualquer processamento da ordem
  2. terminal → servidor de acesso — envio da ordem a partir da plataforma
  3. validação — verificação da margem, volume, níveis de stop e horários de negociação
  4. encaminhamento — encaminhamento da ordem para um local de execução
  5. execução — correspondência e definição do preço
  6. confirmação — regresso da informação ao terminal e atualização da interface

Daí uma regra violada por quase toda a publicidade: 2 ms de ping não significam 2 ms de execução. O ping mede o segmento 1, e o custo surge principalmente nos segmentos 3–5. O registo da plataforma dá-te apenas a soma dos segmentos 2–6 — o cliente de retalho não vê essa soma discriminada.

A rota de uma ordem: seis segmentos três intervalos de alcance diferente 1 2 3 4 5 6 o ping mede o segmento 1 o custo surge sobretudo nos segmentos 3–5 medição: envio → confirmação 2 ms de ping ≠ 2 ms de execução 1. ping de rede tempo de ida e volta de um pacote ao servidor; não contém qualquer processamento da ordem 2. terminal → servidor de acesso envio da ordem a partir da plataforma 3. validação verificação da margem, volume, níveis de stop, horários de negociação 4. encaminhamento encaminhamento da ordem para um local de execução 5. execução correspondência e definição do preço 6. confirmação regresso da informação ao terminal e atualização da interface
Os três intervalos medem partes diferentes da rota: o ping mede apenas o primeiro segmento, o custo surge principalmente nos segmentos 3–5 e o registo da plataforma dá uma única soma dos segmentos 2–6, sem discriminação. O artigo não atribui tempos aos segmentos — e o diagrama não acrescenta nenhum.

Vale a pena acompanhar a distância entre a mediana e o percentil 95. Se a mediana for 80 ms e uma em cada vinte ordens demorar 800 ms, tens uma observação, não um diagnóstico: convém verificar se essas observações se concentram em janelas de volatilidade elevada, compará-las com uma segunda conta nos mesmos horários e procurar nos documentos as condições de rejeição e atraso das ordens. O que não deves deduzir de uma medição destas é a intenção ou a arquitetura do lado da corretora — ambas as conclusões exigem um documento, não um registo do terminal. Os mecanismos possíveis por trás dessa distância são descritos no artigo 12.6 sobre infraestrutura de execução.

Comparar taxas de execução entre corretoras só faz sentido em condições idênticas — o mesmo instrumento, os mesmos horários, dimensões de ordem semelhantes. Uma corretora com taxa de execução de 97% no EUR/USD durante Londres e outra com 92% no GBP/JPY durante a sessão asiática não são comparáveis. Controla as variáveis ou estarás a comparar alhos com bugalhos.

Também vale a pena medir a taxa de execução parcial — a percentagem de ordens executadas em parte. Se a execução parcial é possível na tua conta depende da especificação do instrumento e do modelo de execução descrito no contrato — em algumas contas de retalho é excluída, noutras permitida. Se ocorrer em volumes para os quais a tua especificação não a prevê, é uma observação a esclarecer nos documentos e numa reclamação, não uma prova autónoma de qualquer coisa.

5. Alargamento do spread — um custo variável, não fixo

O spread anunciado no site de uma corretora é o spread mínimo ou a média de um período de baixa volatilidade. O spread a que negoceias efetivamente muda a cada segundo — consoante a liquidez, a hora do dia, os acontecimentos macroeconómicos e o instrumento.

Porque um spread fixo no backtest falseia o resultado — cálculo com valores ilustrativos. Considera um EA de scalping com objetivo de 3 pips e stop-loss de 3 pips, testado com um spread fixo de 0,6 pips. Com esse pressuposto, cada operação custa 0,6 pips, ou seja, 20% do objetivo — e uma estratégia com taxa de acerto de 62% tem resultado positivo: 3 × 0,62 − 3 × 0,38 = 0,72 pips brutos e, após deduzir o custo de 0,6 pips, restam +0,12 pips por operação. Mas basta que o spread seja de 3 pips em vez de 0,6 durante 10% do tempo de negociação para o custo médio aumentar para 0,6 × 0,9 + 3,0 × 0,1 = 0,84 pips — acima dos 0,72 pips brutos, pelo que o resultado por operação cai de +0,12 pips para −0,12 pips — e nesses 10% dos casos o spread, por si só, consumiu todo o objetivo. O backtest não modelou uma variável, precisamente a que decidiu o resultado. Isto não é uma história sobre um sistema específico; é um cálculo que podes repetir com os teus parâmetros em cinco minutos.

Alargamento do spread: mede Bid e Ask em conjunto. Janela de divulgação ilustrativa • não são dados de ticks reais de uma corretora.
Janela de divulgação ilustrativa • não são dados de ticks reais de uma corretora. O artigo explica os pressupostos e as limitações.

Os números desta tabela são ilustrativos e só podem ser utilizados nessa qualidade. Não provêm de uma medição realizada por este site, não descrevem as cotações de qualquer empresa concreta e não há por trás uma conta identificada, um período ou um conjunto de ticks — a designação conta raw/zero com comissão separada não substitui esses dados. Mostram apenas a relação entre condições: aproximadamente quanto o spread pode aumentar numa janela de divulgação de dados ou na abertura semanal em comparação com uma sessão calma. Não os compares com uma especificação de produto ou um preçário de corretora, porque não são o mesmo tipo de dados. Numa conta em que a remuneração da corretora esteja incluída no spread, cada nível seria correspondentemente mais alto. Cada número desta tabela depende da conta, do instrumento e das condições de mercado no momento da leitura. A única leitura vinculativa é um registo de ticks da tua própria conta.

Evento / condiçõesSpread típico EUR/USDPico do spreadDuração
Sessão de Londres (normal)0,1–0,3 pips0,5 pipscontínuo
Sessão asiática (pouca liquidez)0,3–0,8 pips1,5 pipscontínuo
NFP / FOMC0,1–0,3 pips3–8 pips5–60 segundos
Rollover (17:00, hora de Nova Iorque)0,3–1,0 pips2–5 pips1–3 minutos
Abertura de domingo1–3 pips5–15 pips5–30 minutos
Flash crash (evento pontual)indefinido — sem continuidade de cotaçõessem limite superiorsegundos–minutos

Não apenas NFP. O spread e a execução também são afetados por: fixings (o índice de referência WM/Refinitiv Closing Spot Rates, fixado às 16:00, hora de Londres — «WM/Reuters» é o nome histórico), rollover, feriados locais, finais de mês e de trimestre, decisões de bancos centrais de mercados emergentes e intervenções tanto verbais como efetivas. Cada um altera a liquidez, o encaminhamento e as condições de execução.

Uma nota sobre a hora do rollover: 17:00 em Nova Iorque é o ponto de referência, e a correspondência no teu fuso horário muda duas vezes por ano. Durante a maior parte do ano, a diferença entre a hora da Europa Central e Nova Iorque é de seis horas, pelo que as 17:00 em Nova Iorque correspondem às 23:00 locais na Europa Central (CET ou CEST). Contudo, os Estados Unidos começam a hora de verão antes da União Europeia e terminam-na depois, pelo que duas vezes por ano há um regime transitório: na primavera, do segundo ao último domingo de março, ou seja, duas ou três semanas consoante o calendário; no outono, do último domingo de outubro ao primeiro domingo de novembro, exatamente uma semana. Em ambas as janelas, a diferença cai para cinco horas, pelo que as 17:00 em Nova Iorque correspondem às 22:00 CET. A hora 24:00 que circula nas descrições do rollover não resulta de nenhum dos dois regimes: a diferença entre os fusos nunca aumenta para sete horas, apenas diminui para cinco. Se o teu fuso não for CET, refaz a mesma conta em relação a Nova Iorque em vez de copiares uma hora. E confirma sempre a hora do rollover da tua conta na especificação do instrumento — a hora do servidor da corretora não tem de coincidir com qualquer destes fusos.

A tabela acima mostra EUR/USD — o instrumento mais líquido do mercado. Em pares exóticos (USD/TRY, USD/ZAR) e metais (XAUUSD), o alargamento pode ser incomparavelmente maior, porque a liquidez é menor. Este artigo não apresenta valores para esses instrumentos e é uma decisão deliberada: para metais e pares exóticos, o que difere entre empresas não é apenas o nível do spread, mas a própria definição de pip e a dimensão do contrato, pelo que um valor copiado de outra corretora ou conta não é comparável com nada. Lês a escala num registo de ticks do teu próprio símbolo, na tua própria empresa, na janela do evento que te interessa — e só um número assim entra no teu modelo de custos.

Consequências para o trader:

  • Backtests com spread fixo são ficção — qualquer backtest sério deve usar spreads variáveis de dados de ticks, ou pelo menos o spread médio aumentado com uma margem de 2–3 vezes para a volatilidade em torno de dados macroeconómicos
  • Um stop-loss não protege contra o alargamento do spread — se o teu SL estiver a 15 pips da entrada e o spread alargar para 10 pips, a distância efetiva do SL reduz-se para 5 pips. Os NFP podem levar à execução do teu SL a 30 pips do nível nominal
  • Um mínimo anunciado não substitui a medição — regista o spread da conta real tick a tick. Compara várias janelas reais de divulgação dos NFP do calendário com janelas equivalentes sem divulgação e com o mínimo anunciado pela corretora; conserva a data, o fuso horário e o tipo de conta.
Cenário NFP: Um SL colocado a 15 pips da entrada. O spread alarga para 8 pips e o preço salta 22 pips. A execução do SL chega a 30 pips do nível nominal. Numa captura de ecrã posterior, o setup parece limpo — uma seta em direção ao SL, nada dramático. No extrato da conta, uma perda duas vezes maior do que a planeada. Isto não é uma avaria, mas um comportamento normal do mercado em torno de dados macroeconómicos.

Do mercado: o movimento violento da libra em 7 de outubro de 2016. O Comité dos Mercados do BIS dedicou ao evento um relatório específico, publicado em 13 de janeiro de 2017 sob o título «The sterling »flash event« of 7 October 2016»[9]. Para este artigo, o que importa não é o mínimo da taxa de câmbio em si — plataformas diferentes registaram níveis diferentes — mas o mecanismo, e aqui vale a pena deixar o relatório falar, porque é mais prudente do que aquilo que costuma ser repetido. O relatório divide o episódio em três fases e descreve a segunda como «um período de menos de 10 minutos de disfunção extrema em que a libra caiu mais, recuperou e depois negociou num intervalo amplo». Segundo o relatório, isto aconteceu com menor volume e entre um grupo mais restrito de participantes. A negociação continuou, portanto: o relatório apresenta volumes, incluindo cerca de GBP 252 milhões em GBP/USD numa só plataforma durante os oito segundos da primeira fase. O que se desfez foi a continuidade das cotações: a liquidez limitada da principal plataforma à vista esgotou-se, o próprio movimento de preço eliminou ordens pendentes dos livros de muitas plataformas eletrónicas, alguns fornecedores retiraram cotações e os intervalos entre operações consecutivas aumentaram. Para uma ordem de cliente, isto significa não tanto que não houvesse qualquer preço, mas que o preço de execução podia afastar-se do nível da ordem por um valor que um modelo de risco típico não prevê — e isso é pior notícia do que a ausência de preço, porque diz respeito a uma situação em que um stop-loss normal funciona formalmente e, mesmo assim, não limita a perda ao montante pretendido. O próprio relatório assinala que os níveis mínimos da libra foram «extremamente breves», e que a liquidez demorou consideravelmente mais a regressar do que a própria queda durou. Li o relatório em 23 de agosto de 2026.

Uma conclusão limitada ao âmbito desta parte: quando a liquidez desaparece, o custo de saída não tem limite superior e um stop-loss normal deixa de funcionar como ferramenta para limitar uma perda a um montante definido. Um modelo de risco que pressupõe um slippage máximo no stop-loss é, nesse cenário, um pressuposto, não uma proteção. Até que ponto a ordem stop garantida descrita na secção 2 altera esse quadro nessas condições é determinado pelo contrato e pela especificação do instrumento, não pelo nome do produto. É uma observação sobre o mercado, não sobre uma corretora concreta.

6. Como medir a qualidade de execução na prática

As opiniões em fóruns não são uma medição. Uma avaliação de uma corretora não é uma medição. Estrelas numa classificação de afiliados são publicidade, não análise. O que mais se aproxima de uma medição fiável da qualidade de execução é a tua própria conta real — ao lado dela permanecem os documentos da empresa e as antigas listas de locais de execução, cujo estado atual é descrito na secção 8. Ambos, porém, descrevem locais, não as tuas execuções. Existem várias ferramentas para extrair estes dados; diferem no número de campos do modelo abaixo que efetivamente recebes — e essa é a primeira coisa a verificar antes de confiar em qualquer uma.

Diário de execução: os dados que a publicidade omite. Dezasseis campos • conta real • todas as tentativas, sem estatísticas de serviços inventadas.
Dezasseis campos • conta real • todas as tentativas, sem estatísticas de serviços inventadas. O artigo explica os pressupostos e as limitações.

Começa pelo protocolo, não pela ferramenta. Dados sem o conjunto completo de campos não serão prova — nem numa reclamação, nem numa comparação com uma segunda conta, nem sequer numa conversa contigo próprio daqui a três meses. O modelo abaixo contém dezasseis campos que têm de ser registados para cada ordem individual. Copia-o para uma folha de cálculo e preenche-o desde a primeira operação.

#CampoO que preencher
1Entidade jurídicanome completo da empresa no contrato, não a marca
2Contanúmero e tipo de conta (standard / raw / zero), moeda da conta
3Plataformanome e versão do terminal, servidor, ligação (linha doméstica / VPS e a sua localização)
4Símbolosímbolo exato com o sufixo, por exemplo EURUSD.r — não «EUR/USD»
5Dimensãovolume em lotes
6Tipo de ordemmercado / limite / stop / SL / TP; modo de execução (Instant / Market)
7Horamarca temporal do envio ao segundo, de preferência ao milissegundo
8Fuso horáriofuso registado (hora do servidor ou local) — indicado explicitamente
9Preço de referênciapreço pedido e momento em que foi lido: clique, envio ou receção pelo servidor
10Preço de execuçãopreço da confirmação
11Direçãocompra / venda — sem isto não se pode determinar o sinal do slippage
12Slippagediferença em pips com o sinal: positivo = a teu favor
13Estadoexecutada / com requote / rejeitada / parcialmente executada
14Spreadspread no momento do envio da ordem
15Condições de mercadosessão normal / janela de divulgação de dados / pouca liquidez — uma categoria fixada antecipadamente
16Mensagem do servidortexto da mensagem do diário da plataforma, quando disponível
Porque o campo 9 é o mais importante. O slippage é a diferença face a um preço de referência — e «preço de referência» tem pelo menos três significados: o preço visível no momento do clique, o preço no momento do envio do pacote e o preço que o servidor tinha quando recebeu a ordem. Três definições diferentes dão três resultados diferentes com os mesmos dados. Se não registares qual usaste, os teus números não serão comparáveis sequer com os teus do trimestre anterior.

O procedimento passo a passo:

A tabela abaixo organiza o que medir e em que amostra. Nenhuma coluna contém um limiar absoluto — incluindo a coluna «Amostra». O que lá está é uma ordem de grandeza: uma indicação de quantos dados é preciso reunir aproximadamente para que uma comparação comece a ser legível, não uma fronteira a partir da qual um resultado se torna significativo. Não é possível dar aqui um limiar de significância sem uma hipótese testada, uma dimensão de efeito esperada, um nível de confiança e uma análise de potência — e este artigo não os define por ti. Tudo funciona apenas como comparação de duas medições nas mesmas condições, tendo em conta ambas as dimensões de amostra.

PassoO que medirComoAmostra (ordem de grandeza)Conclusão
1Mediana do slippage (com sinal)diário do modelo acima ou registo MT4/MT5centenas de execuçõesInterpreta o sinal e a dimensão da mediana apenas por comparação: a mesma mediana numa segunda conta em condições idênticas ou na mesma conta noutro trimestre
2Distribuição do slippageTrês proporções: % positivas, % zero, % negativas + p90 da caudacentenas de execuçõesInterpreta apenas por comparação com uma segunda medição nas mesmas condições — não face a um limiar absoluto
3Taxa de execução / requotes / rejeiçãoTrês categorias disjuntas que somam 100%centenas de execuçõesComparação com uma segunda conta em condições idênticas; separadamente para a sessão normal e para janelas de divulgação de dados
4Tempo de execuçãoMediana e percentil 95 em ms do diário da plataformacentenas de execuçõesUma distância mediana–p95 crescente e correlacionada com a volatilidade — observação para verificar nos documentos, não diagnóstico
5Spread real e anunciadoDados de ticks da conta face ao preçário da corretorada ordem de uma semana de negociaçãoCompara a distribuição do spread medido com o valor do preçário nos mesmos horários — importa a persistência e a direção do desvio, não uma leitura isolada
6Spread durante a volatilidadeRegisto do spread nos horários NFP / FOMCalguns eventosCompara o pico do spread com a mediana do mesmo instrumento fora da janela de divulgação e introduz a diferença no teu modelo como custo do evento

Ferramentas:

  • Serviços externos de estatísticas (por exemplo MyFxBook) — após a ligação de uma conta com uma palavra-passe de investidor, sincronizam o histórico de operações e calculam as suas próprias estatísticas. Isto não significa que calculem slippage e latência: na documentação e na descrição da interface de programação do serviço não encontrei confirmação de que disponibilizem o preço pedido e a hora de envio da ordem, sem os quais nenhuma dessas duas grandezas pode ser calculada. Verifica na documentação da tua ferramenta quais dos dezasseis campos recebes efetivamente e a partir de que momento de referência calcula o slippage. Critério de escolha: usa-a se não quiseres processar dados à mão e aceitares a definição de medição de terceiros
  • FX Blue — análise externa da conta, construída a partir do histórico de operações extraído da plataforma. Por vezes é atribuído a este fornecedor um documento denominado «Broker Transparency Report», que compararia a qualidade de execução entre corretoras com dados de milhares de contas. Não confirmei esse documento nem esse número de contas na documentação do fornecedor, pelo que não apresento essa listagem nem outra em seu lugar. Trata esta ferramenta como a anterior: verifica primeiro o que mede exatamente nos teus dados
  • Diário MT4/MT5 — o diário do terminal regista operações de negociação concluídas com marcas temporais. A disponibilidade de duas marcas temporais separadas para a mesma ordem — envio e execução — depende da plataforma, da versão do terminal e das definições do servidor da corretora; não é uma regra universal. Verifica-o no teu diário antes de baseares nele uma medição de latência. Dados brutos, mas que exigem processamento manual
  • O teu próprio script — um EA que registe cada execução com o conjunto completo dos dezasseis campos do modelo acima. Critério de escolha: a única via se quiseres definir o momento de referência e ter dados comparáveis entre corretoras. Exige programação em MQL4/MQL5
Registos MT4 e registo independente. Vale a pena confrontar os dados do terminal MT4/MT5 com o teu próprio registo independente, porque um cliente de retalho não tem visibilidade completa sobre o encaminhamento do lado da corretora e dos fornecedores de liquidez.

Comparação entre corretoras. Comparar corretoras só faz sentido quando testas o mesmo instrumento, nos mesmos horários, na mesma plataforma, com dimensão de ordem semelhante e ligação/VPS idênticos. Caso contrário, não estás a medir a corretora, mas a diferença de condições.

Volume de ticks não é volume de mercado. O forex OTC não tem volume centralizado. MT4, MT5 e TradingView mostram volume de ticks, ou seja, o número de atualizações de preço recebidas num intervalo a partir do canal de dados que alimenta o gráfico. No MT4 e MT5 é o feed do servidor da tua corretora. No TradingView depende do símbolo que abriste: o gráfico pode usar um fornecedor de dados escolhido pelo serviço ou uma conta de corretora ligada — duas séries diferentes. Em nenhum caso o volume de ticks é o número ou o valor das transações realizadas. Isso vê-se na estrutura dos próprios dados da plataforma, que mantém volume de ticks e volume negociado em dois campos separados. Uma cotação muda mesmo quando ninguém comprou nada, e a mesma vela pode ter volumes de ticks diferentes em duas empresas, porque as fontes de cotações e a filtragem dos feeds diferem. As aproximações ao volume efetivamente negociado têm de vir de outras fontes, cada uma com um passo temporal diferente: para uma imagem intradiária, os volumes dos futuros cambiais da CME são os mais próximos; para o posicionamento dos participantes, o relatório COT semanal da CFTC, publicado às sextas-feiras com dados de terça-feira; para a ordem de grandeza do mercado inteiro, os inquéritos periódicos de volume publicados pelo BIS. Nenhum é volume de FX à vista e cada um cobre uma parte diferente do mercado, pelo que nenhum substitui o volume «do mercado» sem ressalva. A VSA clássica (Volume Spread Analysis) foi construída sobre volume negociado; aplicada ao volume de ticks do MT4, mede a intensidade das mudanças de cotação num canal de dados — nem o volume do mercado nem o dos clientes de uma corretora.

Um calculador de custos de execução — com sinal e com comissão. A versão popular desta fórmula contém o valor absoluto de uma medida de slippage. É um erro que invalida toda a secção 2: o valor absoluto elimina o sinal, pelo que uma corretora que proporciona melhoria sistemática de preço surge nessa fórmula como idêntica a outra que retira o mesmo montante. O slippage entra no cálculo com o sinal:

Custo de execução por operação (par entrada–saída), em pips:
custo = spread + comissãonormalizada − (slippage médio × 2)

em que:
  • spread — uma média ponderada pelo custo na tua janela de negociação, com pesos correspondentes à dimensão da posição; com spreads iguais na entrada e na saída, conta uma vez por round turn. Com spreads diferentes, o custo face a Mid é metade da soma dos spreads de entrada e saída.
  • comissãonormalizada — a comissão de ida e volta convertida em pips para a dimensão da tua posição. Nas contas raw/zero, costuma ser uma parte do custo maior do que o spread, pelo que omiti-la falseia o resultado. A normalização da comissão é desenvolvida no artigo 12.4 sobre custos reais de negociação
  • slippage médio — com sinal: negativo aumenta o custo e positivo reduz-o. Com volumes iguais e a mesma média na entrada e saída, multiplica-o por 2; caso contrário, calcula ambos os lados separadamente ou soma os custos monetários registados. A mediana descreve uma execução típica, não o custo agregado.

As entradas perdidas contam-se separadamente e noutra unidade. Rejeições e ordens limite não executadas não são um custo por operação — reduzem o número de operações num ano. Por isso, não entram na fórmula acima, mas no cálculo anual: número de sinais × proporção de rejeições e ordens limite não executadas nas entradas = entradas perdidas. Não substituas aí (1 − taxa de execução de entradas) antes de verificares de que é composto o resto: também contém requotes, e um requote a que respondes com uma nova ordem dá uma entrada a um preço pior, não uma entrada perdida. O efeito das entradas perdidas no resultado depende de perderes sinais ao acaso ou precisamente os melhores. É uma segunda grandeza, não outra forma de escrever a mesma.

O modelo continua simplificado e essa é a sua limitação declarada: não distingue tipos de ordem, não abrange execuções parciais e não contabiliza financiamento de posições mantidas durante a noite nem conversões cambiais — essas componentes pertencem ao 12.4.

Importante: os dados de ferramentas externas (MyFxBook, FX Blue) podem diferir dos registos brutos da plataforma por diferenças na medição do tempo e na atribuição do slippage. Se os resultados de duas fontes coincidirem, tens um sinal forte. Se divergirem, verifica a metodologia de cada uma e apoia-te na que mede mais perto da fonte (registos MT4/MT5 > MyFxBook > avaliação num fórum).

O processo de medição exige disciplina. Não basta olhar para três operações recentes e tirar uma conclusão. Precisas de uma abordagem sistemática: recolher dados durante um período suficientemente longo para cobrir condições diferentes — da ordem de um mês de negociação, não três dias —, separar por condições de mercado (sessão normal, dados macroeconómicos, pouca liquidez), calcular a mediana e os percentis, não apenas a média, que se distorce facilmente. Só então tens um argumento baseado em dados, não numa impressão.

Quanto recolher: Não existe aqui uma resposta honesta sob a forma de um único número. A dimensão da amostra depende da dimensão do efeito que queres detetar, com que certeza e com que potência do teste — e este artigo não define esses parâmetros, pelo que também não dá um limiar deles derivado. O critério prático é diferente e verificável nos teus dados: continua a recolher enquanto a mediana e as três proporções ainda oscilarem visivelmente ao acrescentares mais algumas dezenas de observações. Compara apenas amostras de condições comparáveis, tendo em conta as suas dimensões e contando separadamente sessão normal, janelas de divulgação de dados e pouca liquidez. A ordem de grandeza em que a comparação começa a ser legível é de centenas, não dezenas, de execuções. E usa a mediana, não a média — algumas execuções extremas em torno dos NFP distorcem a média, mas não a mediana.

7. Uma amostra de 20 ordens e a distribuição do slippage

Até aqui tratámos o que medir. Segue-se uma amostra em tabela de vinte execuções ilustrativas segundo as definições do modelo. Para facilitar a leitura, a tabela mostra preços, direção, slippage, spread e estado; os restantes campos são indicados nos pressupostos, e não se reconstroem marcas temporais nem mensagens individuais. Num diário real, regista todos os dezasseis campos de cada ordem.

Uma amostra com valores ilustrativos.
Estes dados não provêm de uma medição realizada por nós. Não temos contas em corretoras e não publicamos testes que não realizámos. A amostra abaixo foi construída como padrão formal: mostra que campos têm de constar do diário e como calcular a distribuição a partir deles. Os números desta tabela não devem ser tratados como dados sobre qualquer empresa real, nem como valores «típicos do mercado». Recolhes os números reais por ti próprio, usando o procedimento da secção 6.

Condições da amostra (campos constantes em toda a janela de medição):

  • Entidade jurídica: campo obrigatório — na tua folha de cálculo, introduzes aqui o nome completo da empresa no contrato; nesta amostra ilustrativa fica deliberadamente vazio, porque não se refere a qualquer empresa real
  • Conta: tipo raw com comissão separada, moeda de liquidação USD
  • Instrumento: EUR/USD, dimensão de 0,10 lotes em cada ordem
  • Tipo de ordem: ordem de mercado (Market Execution), entradas e saídas
  • Janela de medição: sessão de Londres, 10:00–12:00 CET, dias sem divulgações de dados macroeconómicos
  • Número de tentativas: 20 execuções (isto é demasiado pouco para uma conclusão — vê a ressalva abaixo da tabela)
  • Preço de referência e a sua definição: preço bid/ask visível no terminal no momento do envio da ordem (não no momento do clique nem na receção pelo servidor)
  • Como foi lido: diário do terminal MT5, marcas temporais ao milissegundo, hora do servidor
  • Unidade de slippage: pips EUR/USD (1 pip = 0,0001), sinal positivo = preço mais favorável ao cliente
#DireçãoPreço pedidoPreço de execuçãoSlippage (pips)SpreadEstado
1compra1,084121,08409+0,30,2executada
2venda1,084551,084550,00,2executada
3compra1,085011,08503−0,20,2executada
4compra1,084771,08482−0,50,3executada
5venda1,083901,083900,00,2executada
6venda1,083621,08363+0,10,2executada
7compra1,083441,08347−0,30,3executada
8compra1,082981,08312−1,41,1executada
9venda1,083311,083310,00,2executada
10venda1,083071,08305−0,20,3executada
11compra1,082891,08287+0,20,2executada
12compra1,083251,08329−0,40,3executada
13venda1,083681,083680,00,2executada
14compra1,084011,08407−0,60,4executada
15venda1,084371,08436−0,10,2executada
16venda1,084661,08470+0,40,2executada
17compra1,084921,08501−0,90,8executada
18compra1,084541,084540,00,2executada
19venda1,084281,08425−0,30,3executada
20compra1,083861,08407−2,11,6executada

A distribuição calculada a partir das vinte linhas acima:

MedidaValorComo foi calculada
Proporção de slippage positivo20%4 observações em 20 (#1, #6, #11, #16)
Proporção de slippage zero25%5 observações em 20 (#2, #5, #9, #13, #18)
Proporção de slippage negativo55%11 observações em 20 — as três proporções somam 100%
Mediana−0,15 pipsmédia dos valores 10.º e 11.º da série ordenada: (−0,2 + −0,1) / 2
Média aritmética−0,30 pipssoma de −6,0 pips dividida por 20
p90 da cauda desfavorável−1,4 pipsos piores 10% das observações são 2 linhas (−2,1 e −1,4); o limiar é a segunda
Maior observação desfavorável−2,1 pipsordem #20
Maior observação favorável+0,4 pipsordem #16

Como interpretar. Nota a diferença entre a mediana (−0,15) e a média (−0,30): a média é duas vezes pior, porque duas observações da cauda a puxam para baixo, −1,4 e −2,1. É precisamente por isso que toda a secção 6 recomenda a mediana para descrever a execução típica e um percentil para a cauda. Dar apenas a média exageraria o custo de uma operação típica; dar apenas a mediana esconderia que, numa em cada dez ordens, o slippage atinge −1,4 pips ou pior — mais de nove vezes a mediana.

Nota também a proporção de zeros. Um quarto das ordens foi executado exatamente ao preço pedido — e isso não é um sinal bom nem mau. Diz apenas que, nesses momentos, o preço não mudou entre o envio e o processamento. Sem essa coluna, «20% positivo, 55% negativo» pareceria muito mais alarmante, porque o leitor atribuiria implicitamente os 25% em falta à categoria negativa.

Porque 20 ordens são demasiado poucas para uma conclusão. Esta amostra mostra a forma de uma medição; não é suficiente para qualquer avaliação. Com vinte observações, uma operação representa 5% da distribuição e a deslocação de duas linhas muda a mediana. Não substituo isso por um limiar, porque não tenho uma base honesta de onde o retirar: uma amostra razoável é aquela em que a mediana e as três proporções deixam de oscilar ao acrescentar algumas dezenas de observações, contadas separadamente para cada condição de mercado. Para comparar duas empresas, são necessárias duas amostras dessas, de condições comparáveis e com variáveis controladas, tendo em conta as suas dimensões. Essa ressalva aplica-se igualmente quando os dados são reais.

Slippage convertido em custo anual

A distribuição descreve a execução típica e a sua cauda. O custo anual responde a outra pergunta: qual é o montante agregado e como se compara com o spread e a comissão? Calculemos um perfil com unidades. Manteremos também a variante baseada na mediana, identificada explicitamente como cenário de execução típica, não como custo agregado da amostra observada. Todos os valores são ilustrativos, como a amostra acima.

Pressupostos:

  • instrumento EUR/USD, dimensão da posição 0,10 lotes (EUR 10.000 de valor nocional)
  • valor de 1 pip com essa dimensão: USD 1,00
  • 500 operações fechadas por ano, cada uma com entrada e saída, ou seja 1.000 execuções
  • slippage médio com sinal da amostra: −0,30 pips por execução; a mediana de −0,15 pips continua a ser a medida da execução típica e a base de um cenário separado
  • spread assumido para este cálculo: 0,4 pips por par entrada–saída. Isto não é a mediana da amostra acima — a mediana dos vinte valores da coluna «Spread» é 0,2 pips, e 0,4 é a média arredondada das mesmas observações (7,6 / 20 = 0,38). Para um perfil anual, escolhemos deliberadamente um valor acima da mediana de uma janela de duas horas de Londres, porque um ano de negociação inclui também a sessão asiática, janelas de divulgação e rollover — pode adotar-se um número maior desde que seja chamado pressuposto, não medição. Para o custo agregado do spread, usa uma média ponderada medida na tua própria janela de negociação, não de um preçário nem desta tabela
  • comissão da conta raw: USD 6,00 por lote de ida e volta (USD 3 por lado)

O cálculo:

ComponenteCálculoCusto anualProporção
Slippage0,30 pips × 1.000 execuções × USD 1,00USD 30037,5%
Spread0,4 pips × 500 operações × USD 1,00USD 20025%
ComissãoUSD 6,00 × 0,10 lotes × 500 operaçõesUSD 30037,5%
Custo total de execução300 + 200 + 300USD 800100%

Interpretação. Com uma média de −0,30 pips, o slippage custa USD 300 e representa 37,5% dos USD 800 de custo anual de execução, igualando a comissão. Não aparece num tarifário. O cálculo anterior, 0,15 × 1.000 × USD 1 = USD 150, depois 150 + 200 + 300 = USD 650 (proporções de 23%, 31% e 46%), descreve um cenário em que cada execução tem slippage igual à mediana. Não é o custo agregado desta amostra: a cauda torna a média pior do que a mediana. Agrega diretamente os custos monetários ou usa uma média com sinal e pesos adequados; mantém a mediana para descrever a execução típica.

Três limitações deste cálculo que não podem ser omitidas. Primeiro, nem a média nem a mediana calculadas com vinte observações são estáveis — repete o cálculo na tua própria amostra, maior e estabilizada. Segundo, o cálculo cobre apenas o custo de execução: exclui financiar posições mantidas durante a noite e qualquer conversão para a moeda da conta, e ambos podem exceder todo o total acima; a decomposição completa do custo total pertence ao artigo 12.4. Terceiro, as entradas perdidas ficam fora do cálculo — não aumentam o custo de uma operação, reduzem o número de operações e contam-se separadamente, como descreve a secção 6.

Se o slippage médio com sinal da tua medição for positivo, a mesma fórmula funciona ao contrário e reduz o custo anual. Não é um caso de manual — é precisamente por isso que o slippage entra na fórmula com o sinal, não como valor absoluto.

8. A política de execução de ordens — a quem pertence e o que daí decorre

Começa pela pergunta menos feita nos textos sobre qualidade de execução e que vem em primeiro lugar: A quem pertence realmente a política de execução de ordens que estás a ler? Uma «corretora» é normalmente uma marca comercial. Assinas um contrato com uma empresa concreta — uma entidade jurídica com nome completo, sede social, número de autorização e autoridade supervisora. A mesma marca é frequentemente servida por várias empresas em jurisdições diferentes, cada uma com a sua política de execução, fornecedores de liquidez e regime de proteção dos clientes. A qualidade de execução não é uma propriedade de um logótipo — é uma propriedade da entidade do outro lado da tua operação.

A consequência prática é direta. Antes de avaliares a política, determina três coisas e regista-as no diário de medição como campo n.º 1:

  • Nome completo da empresa no teu contrato — não do cabeçalho da página, mas do rodapé dos documentos legais, do formulário de abertura e da confirmação da conta. Os três locais têm de indicar a mesma entidade
  • Autoridade supervisora competente para essa empresa — e, separadamente, a base que permite a essa empresa servir um cliente residente no teu país (autorização nacional, sucursal, notificação transfronteiriça)
  • Confirmação num registo — não através de uma ligação na publicidade. O local certo é o registo público de entidades supervisionadas do teu regulador nacional, juntamente com as listas de notificações de empresas de investimento estrangeiras; como exemplo prático, para empresas que operam na Polónia é a pesquisa de entidades da KNF e as suas listas de notificações[11]. Para entidades da UE, existem também os registos da ESMA[12]
Porque isto pertence a um artigo sobre execução. Apresentas uma reclamação contra uma empresa, não contra uma marca. A política de execução que pretendes comparar com a medição vincula a empresa, não a marca. Se a tua medição revelar um problema sistemático, o destinatário do litígio e a entidade sujeita a supervisão é essa empresa concreta. Uma medição sem entidade identificada são dados sem destinatário. O procedimento completo de identificação da entidade e jurisdição é desenvolvido nos artigos 12.1 e 12.8.
Melhor execução: processo e resultado global do cliente. Cliente de retalho na MiFID II • não promete uma execução individual perfeita.
Cliente de retalho na MiFID II • não promete uma execução individual perfeita. O artigo explica os pressupostos e as limitações.

O que abrange a obrigação de melhor execução e o que não abrange

A obrigação é real e decorre do artigo 27(1) da Diretiva 2014/65/EU (MiFID II)[1]. Uma empresa de investimento deve tomar todas as medidas suficientes para obter o melhor resultado possível para o cliente, tendo em conta o preço, custos, rapidez, probabilidade de execução e liquidação, dimensão e natureza da ordem e quaisquer outras considerações relevantes.

Para um cliente de retalho, porém, esse catálogo tem um critério prevalecente, cuja omissão é o erro mais frequente em textos sobre execução dirigidos ao retalho. Nos termos do segundo parágrafo do artigo 27(1) da Diretiva 2014/65/EU[1], o melhor resultado possível para um cliente de retalho é determinado pela contrapartida total: o preço do instrumento financeiro juntamente com os custos de execução, ou seja, todas as despesas do cliente diretamente relacionadas com a execução da ordem. A frase acima é uma reformulação da disposição, não uma citação — o texto oficial consta da versão linguística do ato na referência [1]; foi verificado em 23 de agosto de 2026.

Os critérios de avaliação da execução são desenvolvidos no artigo 64 do Regulamento Delegado (UE) 2017/565 da Comissão[10] — mas com um papel mais restrito do que normalmente lhe é atribuído. O artigo 64(1) exige que se tenham em conta quatro critérios ao estabelecer a importância relativa dos fatores de execução, aqui em tradução do texto oficial inglês: «Ao executar ordens de clientes, as empresas de investimento devem ter em conta os seguintes critérios para determinar a importância relativa dos fatores referidos no artigo 27(1) da Diretiva 2014/65/EU». Esses critérios são as características do cliente, incluindo a classificação, as características da ordem, dos instrumentos financeiros que são objeto dela e dos locais de execução para os quais pode ser encaminhada. Nenhum número desse artigo contém uma condição que dê precedência a fatores diferentes de preço e custo.

A condição de precedência consta do considerando 101 do mesmo regulamento e tem aí a seguinte redação literal — aqui traduzida do inglês: «A rapidez, a probabilidade de execução e liquidação, a dimensão e natureza da ordem, o impacto no mercado e quaisquer outros custos de transação implícitos só podem ter precedência sobre a consideração imediata de preço e custo na medida em que contribuam para obter o melhor resultado possível em termos de contrapartida total para o cliente de retalho»[10]. A condição tem de ser lida exatamente assim: rapidez e probabilidade de execução podem compensar um preço pior, mas apenas em termos de contrapartida total e sob a condição indicada — um «não podem» categórico é tão inexato como atribuir essa condição ao artigo 64. Distinguir as unidades de um ato não é uma formalidade: um considerando explica o objetivo e a orientação interpretativa das disposições, enquanto a obrigação de melhor execução em si tem fundamento no artigo 27(1) da Diretiva 2014/65/EU e no artigo 64 do regulamento, não apenas no considerando. A redação de ambos foi verificada em 24 de agosto de 2026.

O efeito prático na tua medição mantém-se, apenas sem o falso tom categórico: cabe demonstrá-lo a quem invoca a rapidez. Uma corretora que se gaba de «execução em 20 ms» nada demonstrou ao abrigo do artigo 64 ou do considerando 101 enquanto não mostrar que, em termos de contrapartida total, isso dá ao cliente de retalho um resultado melhor do que preço e custo inferiores — portanto, enquanto não mostrar preço e custos. O inverso também é válido: a obrigação diz respeito a uma conduta diligente e ao processo no seu conjunto, não a obter o melhor preço em cada operação; uma má execução não é uma infração, enquanto uma série com distribuição calculada pode justificar examiná-la.

Nota que a regra da contrapartida total está ligada à categoria do cliente. Uma mudança de classificação de retalho para profissional altera a ponderação dos fatores de execução e o âmbito das proteções obrigatórias. As consequências são descritas no artigo 12.7; aqui basta saber que a tua medição é interpretada segundo o regime aplicável à tua categoria, não a um «cliente médio».

O que mudou: foi revogada a base legal do relatório anual de locais de execução

Esta passagem corrige uma versão anterior do artigo. A versão publicada em 5 de abril de 2026 descrevia o relatório anual RTS 28 como uma obrigação da corretora e tratava a sua ausência como sinal de alerta. Estava desatualizada. Segue-se a situação à data desta atualização, com os atos jurídicos citados.

A base do relatório anual dos cinco principais locais de execução era o artigo 27(6) da Diretiva 2014/65/EU, desenvolvido pelo Regulamento Delegado (UE) 2017/576, conhecido como RTS 28[6]. Essa disposição foi revogada. A Diretiva (UE) 2024/790 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 28 de fevereiro de 2024, estabelece claramente no artigo 1(4)(c), relativo ao artigo 27 da MiFID II: «o n.º 6 é suprimido»[2]. A mesma diretiva também substituiu o conteúdo do artigo 27(3): eliminou a anterior obrigação de publicar dados de qualidade de execução (RTS 27) e colocou no seu lugar a obrigação de informar o cliente do local em que a ordem foi executada. Por outro lado, revogou integralmente o artigo 27(2) — a anterior disposição que proibia receber remuneração pelo encaminhamento de ordens de clientes para um local específico quando isso violasse os requisitos sobre conflitos de interesses e incentivos: uma proibição condicional, substituída pelo artigo 39a incondicional do MiFIR, tratado na subsecção seguinte. A diferença importa pela mesma razão que distinguir o artigo 64 do considerando 101: revogar e substituir conteúdo são operações diferentes sobre unidades diferentes de um ato. O prazo de transposição é fixado pelo artigo 2(1) dessa diretiva: «Os Estados-Membros põem em vigor as disposições legislativas, regulamentares e administrativas necessárias para dar cumprimento à presente diretiva até 29 de setembro de 2025»[2].

Antes de as transposições nacionais entrarem em vigor, a ESMA publicou em 13 de fevereiro de 2024 uma declaração sobre a menor prioridade das ações de supervisão (ESMA35-335435667-5871). No próprio documento, a frase a esse respeito tem a seguinte redação — aqui em tradução da língua original — «À luz do exposto, desde hoje até à próxima transposição para o direito nacional em todos os Estados-Membros, a ESMA espera que as autoridades nacionais competentes (NCAs) não deem prioridade a ações de supervisão sobre empresas de investimento relativas à obrigação periódica de publicar os relatórios RTS 28»[3]. A versão da mesma frase com uma data concreta — «desde 13 de fevereiro de 2024 até à próxima transposição da revisão da MiFID II para a legislação nacional em todos os Estados-Membros» — não provém do documento, mas da notícia da ESMA que o acompanha[3]. Atribuir essa redação ao próprio documento é um erro, e a diferença não é cosmética: o documento diz «desde hoje», pelo que o início do período só se pode determinar em conjunto com a data de publicação.

O mesmo documento ressalva expressamente que a obrigação pode continuar até à transposição: «As empresas de investimento podem ainda ter de publicar estes relatórios em 2024 e até à data de transposição da diretiva no respetivo Estado-Membro»[3]. A maioria dos Estados-Membros consta da tabela da Comissão Europeia sobre medidas de transposição da Diretiva 2024/790 entre os que notificaram medidas completas — mas, segundo o estado dessa tabela em 7 de agosto de 2026, cinco Estados-Membros não tinham notificado quaisquer medidas: França, Países Baixos, Portugal, Roménia e Espanha[4]. É o estado das notificações nessa data, não uma prova de ausência de legislação nacional. A tabela foi novamente verificada em 9 de outubro de 2026; para uma empresa concreta, verifica quando entrou em vigor a transposição nacional aplicável.

O prazo de transposição — «até 29 de setembro de 2025» (artigo 2(1) da Diretiva 2024/790)[2]. Segundo o estado da tabela da Comissão em 7 de agosto de 2026, França, Países Baixos, Portugal, Roménia e Espanha não tinham notificado quaisquer medidas de transposição[4] — isto descreve notificações, não uma prova independente de que a obrigação continua; verifica a lei nacional. A célula vazia na coluna «situação atual» para o n.º 6 é uma afirmação, não um lapso: nada veio substituir o relatório revogado.

disposiçãooperaçãoo que abrangiasituação atual
Artigo 27(6) da MiFID II (desenvolvido pelo Regulamento Delegado (UE) 2017/576, conhecido como RTS 28)[6]revogado — Diretiva 2024/790, artigo 1(4)(c): «o n.º 6 é suprimido»[2]relatório anual dos cinco principais locais de execução–
Artigo 27(3) da MiFID IIconteúdo substituídoobrigação de publicar dados de qualidade de execução (RTS 27)obrigação de informar o cliente do local em que a ordem foi executada
Artigo 27(2) da MiFID IIrevogado integralmenteproibição condicional de receber remuneração pelo encaminhamento de ordens quando viole os requisitos sobre conflitos de interesses e incentivosartigo 39a incondicional do MiFIR

O que daqui decorre para ti — três conclusões.

  • A ausência de um relatório RTS 28 deixou de ser um sinal de alerta — para uma empresa que opera num Estado-Membro que concluiu a transposição. Após a transposição da Diretiva 2024/790 nesse Estado, essa empresa não tem obrigação de publicar uma listagem anual, pelo que rejeitá-la por esse motivo seria rejeitá-la por cumprir a lei em vigor. A afirmação não abrange, porém, toda a União: nos Estados sem medidas de transposição notificadas — segundo a tabela da Comissão em 7 de agosto de 2026, França, Países Baixos, Portugal, Roménia e Espanha[4] — a obrigação pode continuar até à data da transposição, de acordo com a ressalva da ESMA citada acima. Se o teu contrato for com uma entidade de um desses Estados, um relatório em falta continua a ser uma pergunta a fazer, não uma caixa a assinalar
  • A obrigação de melhor execução e de dispor de uma política de execução de ordens e a disponibilizar mantém-se em vigor — o que foi revogado foi o reporte, não o princípio. A prova deslocou-se de um relatório pronto para o próprio documento da política, para as condições do contrato e para a tua medição
  • Os relatórios antigos podem continuar a ser legíveis. Algumas empresas mantêm nos seus sites listagens até aos anos 2023–2024 e algumas continuam a publicá-las voluntariamente. Como material histórico são úteis — mas são uma fotografia do passado, não uma descrição do encaminhamento atual

Se encontrares esse documento, lê-o como antes: procura a tabela dos cinco locais de execução e verifica se o primeiro, com uma proporção próxima de 100%, é uma entidade do mesmo grupo. É uma observação sobre a estrutura da execução que vale a pena comparar com o que o artigo 12.2 diz sobre o modelo de execução — sem deduzir daí a qualidade de execução, porque o relatório descreve locais, não execuções concretas.

O pagamento pelo fluxo de ordens é proibido na UE — com uma exclusão legal

O pagamento pelo fluxo de ordens — remuneração recebida por uma empresa de investimento de um terceiro por lhe encaminhar ordens de clientes — não é, na União Europeia, uma prática «a divulgar». É proibida. O Regulamento (UE) 2024/791 de 28 de fevereiro de 2024 inseriu o artigo 39a no MiFIR, proibindo as empresas de investimento de receber quaisquer taxas, comissões ou benefícios não monetários de terceiros — tanto pela execução de ordens de clientes de retalho e de clientes que optaram pelo tratamento profissional num local específico como pelo envio dessas ordens a um terceiro para execução num local específico[5]. Isto também é uma reformulação da disposição, não uma citação; a redação completa consta do ato na referência [5]. A disposição entrou em vigor em 28 de março de 2024.

O regulamento permitia uma derrogação transitória: um Estado-Membro onde as empresas exerciam essa atividade antes de 28 de março de 2024 podia isentá-las da proibição relativamente a clientes nacionais até 30 de junho de 2026[5]. A ESMA mantém uma lista dos Estados que utilizaram essa derrogação, e nela consta apenas a Alemanha, com data de notificação de 21 de março de 2024; o prazo para notificações terminou em 29 de setembro de 2024, pelo que a lista está encerrada[14]. Desde 1 de julho de 2026, a derrogação expirou. Li a lista em 24 de agosto de 2026.

O fim da derrogação não significa, porém, que a proibição opere sem qualquer exclusão — e é esta distinção que se perde numa frase abreviada sobre uma proibição em toda a União «sem exceção». O que desapareceu foi a exceção nacional, transitória e limitada no tempo. Separadamente, de forma permanente e no próprio artigo 39a(1) do MiFIR, existe uma exclusão legal para reembolsos e descontos nas taxas de transação dos locais de execução. A Comissão Europeia explicou-a numa resposta publicada na base de perguntas e respostas da ESMA em 3 de março de 2026 nestes termos — aqui traduzidos da língua original: «Sim, as empresas de investimento podem utilizar reembolsos e descontos para reduzir as taxas dos clientes, mas apenas quando cumpram e possam demonstrar que cumprem todas as condições seguintes estabelecidas no artigo 39a(1) do MiFIR»[13]. São três condições e são cumulativas: «(a) o reembolso ou desconto nas taxas de transação dos locais de execução é permitido pela estrutura tarifária aprovada e pública da plataforma de negociação relevante na União ou da plataforma relevante de um país terceiro», «(b) o reembolso ou desconto beneficia exclusivamente o cliente e não a empresa» e «(c) não resultam num benefício monetário para a empresa de investimento»[13]. Citar apenas a parte sobre o benefício do cliente, sem a tarifa do local de execução e sem a ausência de benefício monetário para a empresa, altera o conteúdo da exclusão. A resposta foi lida em 24 de agosto de 2026.

As condições são cumulativas; cabe à empresa demonstrá-las, não ao cliente. A base é o texto original da resposta da Comissão Europeia publicada na base de perguntas e respostas da ESMA em 3 de março de 2026, lida em 24 de agosto de 2026.[13]

condiçãotradução do texto original (artigo 39a(1) do MiFIR, segundo a resposta da Comissão)o que abrange
(a)«o reembolso ou desconto nas taxas de transação dos locais de execução é permitido pela estrutura tarifária aprovada e pública da plataforma de negociação relevante na União ou da plataforma relevante de um país terceiro»o reembolso tem de resultar de uma tarifa aprovada e pública de um local de execução — na União ou num país terceiro
(b)«o reembolso ou desconto beneficia exclusivamente o cliente e não a empresa»o reembolso vai na íntegra para o cliente, não para a empresa
(c)«não resultam num benefício monetário para a empresa de investimento»o benefício não dá qualquer ganho monetário à empresa

Na prática, isto significa que nem todo o benefício recebido de um local de execução prova uma infração. A proibição do artigo 39a do MiFIR é real e abrange toda a União — mas diz respeito à remuneração retida pela empresa. Um reembolso resultante da tarifa aprovada e pública de um local, transmitido integralmente ao cliente e sem benefício monetário para a empresa, fica dentro da exclusão. Cabe à empresa demonstrar essas três condições, não a ti.

Esta alteração transforma um ponto morto da lista num útil teste de jurisdição — mas em duas etapas, não uma. Primeira: verifica se o benefício descrito está dentro da exclusão do artigo 39a(1), ou seja, se é um reembolso ou redução de taxa de transação resultante da tarifa aprovada e pública de um local e transmitido integralmente ao cliente. Se estiver, não tens um alerta, mas um mecanismo permitido de redução de custos. A segunda etapa só diz respeito ao que fica fora: se os documentos descrevem receber e reter remuneração dos locais como parte do modelo de negócio, a informação não é que «a corretora divulga algo», mas que muito provavelmente o contrato não é celebrado com uma empresa sujeita ao regime da UE. Voltas então à primeira pergunta desta secção: que empresa, que autoridade supervisora e com que base presta serviços a um cliente no teu país.

Sinais de alerta nos documentos — a versão atual

  • Não consegues determinar a quem pertence o documento — uma política de execução sem o nome completo da empresa no rodapé, ou com um nome diferente do contrato e do formulário de abertura. É o alerta mais grave, porque invalida todas as outras conclusões
  • Ausência de política de execução ou política sem conteúdo — o documento diz «procuramos a melhor execução», mas não descreve fatores e ponderações, locais de execução nem como a política é revista. Isto substitui o antigo alerta «sem RTS 28»
  • Estrutura de execução descrita apenas em termos genéricos — «vários fornecedores de liquidez» sem dizer se a ordem é executada contra a própria empresa ou encaminhada adiante. Uma empresa que o descreve claramente dá mais material para avaliação do que outra que o evita
  • Remuneração de locais de execução retida pela empresa nos documentos de uma entidade que afirma operar na UE — uma contradição com o artigo 39a do MiFIR. Antes de o tratares como alerta, verifica se o benefício é um reembolso ou redução de taxa de transação dentro da exclusão do artigo 39a(1) — esse tipo vai integralmente para o cliente e é permitido. O alerta é um benefício que permanece na empresa; verifica então que empresa do grupo está realmente envolvida
  • Documento sem data nem informação sobre revisão — uma política de execução está sujeita a revisão periódica. Um documento que não pode ser datado não serve para ser confrontado com a tua medição
O que a regulamentação não te dá: a obrigação de melhor execução não exige publicar a distribuição do slippage, a proporção de zeros, a percentagem de rejeições ou o tempo de execução da tua conta. Também não exige divulgar o algoritmo de encaminhamento. Desde a revogação do reporte anual, há menos dados comparativos públicos do que antes de 2024, não mais. Por isso, a tua medição das secções 6 e 7 não é um complemento à leitura dos documentos — após esta alteração, tornou-se a principal fonte de números disponível para um cliente de retalho.

9. Execução demo e real

Uma conta demo é uma simulação de negociação, não negociação. Partilham a interface da plataforma e a lógica dos tipos de ordem; o que difere é o que acontece após o envio de uma ordem. O mecanismo da diferença é concreto: numa conta demo não há contraparte, fila de ordens nem exposição para gerir, pelo que a correspondência é simulada no servidor demo segundo uma regra simplificada. Por isso, a execução demo tende a ser mais suave do que a real — não por a corretora ser mais honesta, mas porque ninguém do outro lado tem de aceitar a operação. A palavra «tende» importa: o grau de suavização depende de como a empresa construiu o servidor demo, não de uma regra de todo o mercado — e algumas empresas afirmam que as condições demo são iguais às reais.

A demo testa o processo; a conta real permite medir a execução. As condições demo são simuladas e dependem da implementação.
As condições demo são simuladas e dependem da implementação. O artigo explica os pressupostos e as limitações.

Tudo nesta tabela depende da entidade jurídica e da jurisdição e, secundariamente, da conta e do instrumento. A coluna «Demo» descreve o efeito típico de não haver contraparte, não um parâmetro vinculativo para todas as contas demo. Esse parâmetro não existe: o modelo de execução demo é definido pela corretora. Verifica cada linha da coluna na descrição da demo e no guia da plataforma da tua empresa — e depois numa comparação demo-real com o mesmo instrumento e nos mesmos horários.

ParâmetroDemoReal
Taxa de execuçãoGeralmente superior à de uma conta real, porque não existe uma contraparte que tenha de aceitar a ordem — mas não é um valor garantido: a documentação de algumas plataformas prevê o cancelamento, em demo, de uma ordem que não seja executada imediatamenteInferior a 100% e variável; mais baixa nas janelas de divulgação de dados. O valor obtém-se através das tuas próprias medições, não de uma tabela
DerrapagemFrequentemente nula, porque a correspondência de ordens é simulada — mas não por definição: alguns guias de plataformas preveem expressamente derrapagem, inclusive numa ordem de realização de lucroVariável, dependendo da liquidez e do modelo da corretora
SpreadDepende da implementação: por vezes fixo ou mínimo, por vezes alimentado pela mesma fonte da conta real — consulta a documentação da tua própria empresaVariável; alarga-se durante a volatilidade, no rollover e em condições de baixa liquidez
RecotaçõesGeralmente ausentes, se o servidor demo não reproduzir o modo Instant Execution — um parâmetro a verificar, não uma regraPossíveis no modo Instant Execution, frequentes em torno dos dados macroeconómicos
Tempo de execuçãoGeralmente curto e estável — a ordem percorre a rede até ao servidor demo da corretora, mas não passa nem por encaminhamento nem por correspondência com uma contraparteVariável; mede a mediana e o percentil 95, não uma única leitura
LiquidezIlimitada do lado da simulação — a corretora não tem de encontrar uma contraparteLimitada — depende dos LP, da hora do dia e do instrumento
Execução parcialGeralmente não ocorre, porque não existe uma fila de ordens — mas isso é uma característica da implementação, não uma regra aplicável a todas as contas demoPossível em ordens grandes ou em condições de baixa liquidez
Histórico da contaNenhum — a conta não interessa a ninguém além de tiA conta tem um histórico de volume negociado e resultados; a forma como a empresa o gere é descrita na sua política de execução de ordens e nas condições contratuais — ver 12.2

A consequência é simples: um fluxo de trabalho testado exclusivamente em demo sobrevaloriza artificialmente a qualidade de um sistema. Uma estratégia que, em demo, obtém execução a todos os níveis, derrapagem nula e spread fixo encontrará a realidade numa conta real — e o resultado pode ser radicalmente diferente.

Existe mais uma diferença que a demo não consegue reproduzir por definição: numa conta real, as tuas operações criam uma exposição real do lado da empresa, enquanto em demo não criam nenhuma. Do ponto de vista da medição, isso significa que a distribuição dos resultados pode diferir entre grupos de contas com perfis de volume negociado distintos — e que um cliente de retalho não verá essa diferença diretamente, apenas indiretamente, confrontando os seus próprios números com os de uma segunda conta. A forma como uma empresa gere a exposição resultante e o ponto desse mecanismo em que surge um conflito de interesses são explicados no artigo 12.2. Este artigo limita-se à observação.

O fluxo de testes correto:

  1. Demo — verifica a lógica da estratégia, a correção do código do EA e os mecanismos de entrada e saída. Não avalies os resultados financeiros nesta fase
  2. Uma microconta real — execução real com o mínimo de dinheiro possível. O montante é aqui um orçamento de teste que tu próprio defines: tem de ser suficiente para recolher uma amostra com dimensões de ordem próximas das que pretendes usar e para cobrir os custos de execução que calcularás abaixo. Não é o depósito mínimo do produto — esse é um parâmetro de uma empresa concreta, que consultas nos documentos dessa empresa, não neste artigo. Negoceia durante um período que abranja diferentes condições de mercado e continua a recolher dados enquanto os números ainda oscilarem. Trata esta fase como uma auditoria à empresa, não como um teste à estratégia
  3. Medição da execução — derrapagem (mediana + assimetria), taxa de execução e spread real face ao anunciado. Compara com os resultados da demo — a diferença mostrará a dimensão da ilusão
  4. Decisão — compara o custo de execução medido com a vantagem da estratégia e divide o primeiro pela segunda. Essa proporção é um número comparativo, não um limiar: por si só, nada resolve até a confrontares com uma segunda medição — a mesma estratégia numa segunda conta, a mesma conta noutro trimestre ou as mesmas regras noutro instrumento e noutros horários. A conclusão varia de forma contínua: quanto menor for a parcela da vantagem absorvida pelo custo de execução, mais fácil será incorporá-lo no modelo e continuar a negociar; quanto maior for, mais restrito será o conjunto de horários e instrumentos em que a estratégia se sustenta. E, quando o custo se aproxima da vantagem, a questão é a própria estratégia, não a escolha da empresa — mudar de corretora não altera a aritmética. Este artigo não estabelece aqui uma fronteira numérica, porque não existe uma fonte que a determine

Um erro comum: um trader testa em demo durante três meses, obtém um ganho de 40%, deposita um montante elevado numa conta real e perde 15% no primeiro mês. A diferença não é azar nem psicologia (embora a psicologia tenha o seu papel) — é uma discrepância sistemática entre o ambiente estéril da demo e a execução real. Uma microconta proporciona o primeiro contacto com a execução real — mas não finjas que 0,01 lotes te dirão tudo sobre a execução de ordens maiores; a dimensão da ordem é uma das variáveis que estás a medir.

Quanto custa uma auditoria destas — cálculos com valores ilustrativos. Vamos calcular em vez de estimar, com pressupostos explícitos — este é o orçamento de um teste exemplificativo, não um montante recomendado nem um depósito mínimo. Uma microconta de USD 200, EUR/USD a 0,05 lotes, 100 operações em 30 dias, numa conta raw: uma comissão de USD 6,00 por lote de ida e volta dá 6,00 × 0,05 × 100 = USD 30; um spread de 0,4 pips, com um valor do pip de USD 0,50, dá 0,4 × 100 × 0,50 = USD 20; a derrapagem, com uma média assumida de −0,15 pips em 200 execuções, é 0,15 × 200 × 0,50 = USD 15. São cerca de USD 65 de custos de execução, independentemente do resultado das próprias operações — excluindo o custo de financiamento das posições mantidas durante a noite e eventuais conversões cambiais; ambos têm de ser acrescentados a este orçamento separadamente. É isso que os dados custam, e ninguém tos dará de outra forma.

De onde vem a diferença entre demo e real — cálculos com valores ilustrativos. Considera um EA que gera 14 sinais por dia ao longo de 10 dias de negociação, em EUR/USD a 0,10 lotes. São 140 sinais. Assume que, na demo desta empresa, a derrapagem média é de 0 pips e a taxa de execução das entradas é de 100% — é um pressuposto do cenário, não um parâmetro comum a todas as contas demo. Na conta real, a derrapagem média é de −0,7 pips e a taxa de execução das entradas é de 89%; assumimos ainda que toda a parcela em falta corresponde a rejeições, não a recotações seguidas de uma nova ordem.

Vamos calcular os dois efeitos separadamente, porque são duas grandezas diferentes contabilizadas sobre dois conjuntos distintos. Entradas perdidas: uma taxa de execução das entradas de 89% significa que, de 140 sinais, cerca de 15 nunca chegaram a acontecer — e essas 15 não são um custo em dólares, mas operações em falta nas estatísticas. Restam 125 operações, o que — assumindo que todas as saídas são executadas — corresponde a 250 execuções, porque cada operação tem uma entrada e uma saída. Custo da derrapagem: 0,7 pips × 250 execuções = 175 pips, o que, com um valor do pip de USD 1,00, dá USD 175 de custo que o backtest não modelou de todo. A ordem importa aqui: se a derrapagem tivesse sido calculada sobre 280 execuções, ou seja, sobre os 140 sinais, essas mesmas quinze teriam entrado duas vezes na conta — uma como execução com derrapagem, outra como entrada perdida. É precisamente para isso que a secção 1 alerta: as rejeições não aumentam o custo de uma operação, reduzem o número de operações por ano.

10. O que fazer com os resultados das tuas medições

Recolher dados de execução é apenas metade do processo. A outra metade é tomar uma decisão com base neles. Muitos traders medem, veem um problema — e nada fazem. Porque mudar de corretora dá trabalho, mudar de estratégia é admitir um erro e aceitar os custos é abandonar a ilusão de negociar gratuitamente.

Os dados das medições permitem três conclusões possíveis. Cada uma exige uma resposta diferente, e nenhuma consiste em esperar que as coisas melhorem por si.

Percursos de decisão após medir a execução: continuar a monitorizar, ajustar as condições de negociação da estratégia ou comparar outra corretora.
Tira conclusões de observações comparáveis em contas reais; nem um resultado isolado nem uma designação de modelo estabelecem a qualidade de execução.

Conclusão 1: mudar de empresa. A base é um conjunto de observações, não um único limiar: uma distribuição da derrapagem claramente deslocada contra ti numa amostra recolhida até estabilizarem a mediana e as três proporções, uma taxa de execução substancialmente inferior à de uma segunda conta nas mesmas condições, recotações concentradas num dos lados do mercado e uma distância crescente entre a mediana e o p95 do tempo de execução. Nenhum destes números significa algo por si só — apenas o conjunto completo, confrontado com uma segunda medição, constitui um argumento. Antes de decidires, verifica, porém, um aspeto do teu lado: se as tuas entradas coincidem sistematicamente com o momento de um impulso, porque, nesse caso, mudar de empresa levará a mesma distribuição para a nova conta.

Conclusão 2: ajustar a estratégia à realidade da execução. A medição mostra derrapagem de ambos os sinais e uma taxa de execução elevada, mas não demonstra, por si só, que a execução é justa. No cenário assumido, os custos de execução consomem a vantagem. O scalping com uma vantagem de 0,8 pips não funciona matematicamente com um spread de 0,3 pips e uma derrapagem média de −0,4 pips — e só o vês quando aplicas corretamente a fórmula da secção 6. A derrapagem entra aí duas vezes, porque ocorre na entrada e na saída, pelo que o custo é 0,3 + 2 × 0,4 = 1,1 pips por operação — mais do que toda a vantagem, e isto antes da comissão, que este cálculo não inclui de todo. Pelo atalho 0,3 + 0,4 obter-se-iam 0,7 pips e uma margem aparente. Compara os custos de outra corretora, mas não assumas que mudar de empresa restaura automaticamente a vantagem. Considera um horizonte temporal mais longo, objetivos maiores e instrumentos com custos de execução inferiores. Uma estratégia tem de ter uma vantagem suficiente para sobreviver aos custos reais. A mesma disciplina aplica-se à estimativa da margem: uma folga calcula-se sempre com a fórmula completa, incluindo duas vezes a derrapagem. O atalho deixaria 0,1 pips de margem na vantagem; a fórmula completa mostra que não existe margem alguma — basta um multiplicador em falta para manter vivo um sistema que matematicamente já não funciona.

Conclusão 3: aceitar os custos e incorporá-los no modelo. O custo de execução medido cabe no orçamento da estratégia. Uma derrapagem média assumida de −0,2 pips, ou seja, 0,4 pips por par de entrada e saída, face a uma vantagem de 3 pips, é um custo aceitável. Incorpora no modelo o custo de execução real — não o spread do preçário, mas o spread medido mais a derrapagem medida mais a taxa de execução medida. Se a estratégia continuar rentável depois de contabilizados os custos reais, tens uma estratégia que sobreviverá ao contacto com o mercado. É esse o objetivo: um sistema que funciona com os custos de execução plenamente contabilizados, não apesar deles.

O que não fazer:

  • Não ignores os dados — o erro mais comum. Um trader vê uma distribuição deslocada e justifica-a com um único evento macroeconómico. A separação da amostra por condições de mercado descrita na secção 6 existe precisamente para permitir essa verificação, em vez de decidir por impressão
  • Não mudes de empresa sem uma medição — uma decisão tomada com base numa opinião de fórum troca uma incógnita por outra. Mede em cada uma e compara condições idênticas
  • Não otimizes backtests para um spread fixo — um backtest com spread variável a partir de dados de ticks dá resultados piores, mas reproduzíveis numa conta. Um backtest com spread fixo dá resultados que não podem ser repetidos na negociação
  • Não negoceies um capital elevado sem uma auditoria à execução — uma microconta custa um jantar. Depositar USD 10.000 numa corretora com derrapagem assimétrica é um custo que cresce a cada transação

Uma execução desfavorável durante os NFP não é uma prova. Uma amostra grande e estabilizada com uma distribuição persistentemente deslocada, confrontada com uma segunda medição nas mesmas condições, constitui um argumento — e essa é a palavra mais forte que o teu próprio diário permite usar aqui.

A medição não é um exercício pontual. A qualidade de execução muda com o tempo — uma corretora pode mudar de fornecedor de liquidez, modificar o encaminhamento ou introduzir um novo plug-in na plataforma. Mede trimestralmente e compara com as medições anteriores. Se a derrapagem aumentar enquanto as condições do teu lado — instrumento, horários, dimensão e natureza das entradas — não tiverem mudado, tens uma observação a esclarecer nos documentos da empresa, não uma conclusão definitiva sobre a parte dela na cadeia.

Se decidires mudar, não encerres imediatamente a conta antiga. Abre uma microconta na nova empresa e realiza uma medição idêntica — o mesmo instrumento, os mesmos horários, a mesma dimensão, o mesmo modelo de dezasseis campos e uma amostra que abranja condições comparáveis, tendo em conta a incerteza de ambas as medições quando as dimensões das amostras forem diferentes. Só depois de os dados confirmarem a vantagem deves transferir o capital. Uma medição paralela é a única forma de separar uma mudança de empresa de uma mudança das condições de mercado ocorrida ao mesmo tempo.

O primeiro passo concreto é este: cria uma folha de cálculo com as dezasseis colunas da secção 6, introduz no primeiro campo a denominação completa da empresa que consta do teu contrato e começa a registar todas as ordens. Quando a mediana e as três proporções deixarem de oscilar à medida que acrescentas observações, volta aos números e calcula o custo anual de execução pelo método da secção 7. Não encontrarás esse número nem num preçário nem numa classificação.

Perguntas frequentes — Qualidade de execução no Forex

O que é a derrapagem e é sempre negativa?
A derrapagem é a diferença entre o preço pedido e o preço a que uma ordem é executada. Nem sempre é negativa — pode ser positiva, quando a ordem é executada a um preço melhor do que o pedido. A distribuição é descrita por três proporções — positiva, nula e negativa —, não apenas pela média. Se a derrapagem negativa dominar claramente numa amostra grande e estabilizada, verifica, por esta ordem: os horários de negociação, o tipo e a dimensão das tuas ordens, a natureza das tuas próprias entradas e uma comparação com uma segunda conta em condições idênticas. Da distribuição, por si só, não se deduzem nem o modelo de execução nem a desonestidade — são duas questões diferentes, e a segunda pertence ao artigo 12.2.
De quantas transações preciso para avaliar a qualidade de execução de uma corretora?
Não existe um número que se possa dar aqui honestamente, e este artigo não dá nenhum. Um limiar de dimensão da amostra decorre da hipótese testada, da dimensão do efeito esperado, do nível de confiança e da potência do teste — sem estas quatro grandezas, qualquer número redondo é inventado. Em vez de um limiar, tens um critério verificável nos teus próprios dados: continua a recolher enquanto a mediana e as três proporções de derrapagem ainda variarem visivelmente quando acrescentas mais algumas dezenas de observações; calcula separadamente para a sessão normal, para as janelas de divulgação de dados e para a baixa liquidez, e compara apenas amostras de condições comparáveis, tendo em conta as suas dimensões. A ordem de grandeza a partir da qual uma comparação destas começa a ser interpretável é de centenas de execuções recolhidas durante um período que abranja diferentes condições de mercado — uma ordem de grandeza, não um limiar.
Uma conta demo pode ser usada para avaliar a qualidade de execução de uma corretora?
Não, e não é uma questão de grau. Numa conta demo não existe contraparte, fila de ordens nem exposição a gerir, pelo que a correspondência de ordens é simulada no servidor demo da corretora. Assim, a execução tende a ser mais fluida do que na conta real — execuções completas, sem derrapagem, spread estável. Isso não é, porém, uma norma obrigatória, mas uma característica da implementação de uma empresa concreta: algumas corretoras afirmam que as condições de negociação em demo são iguais às da conta real, e alguns guias de plataformas preveem em demo tanto derrapagem como o cancelamento de uma ordem que não seja executada imediatamente. Independentemente do que a demo mostre, daí não se deduz a qualidade de execução na conta real. O único teste da própria execução que podes fazer por ti é uma microconta real com capital real, mantida durante um período que abranja diferentes condições de mercado e com um diário de dezasseis campos. A demo serve para verificar a lógica da estratégia, a correção do código e a utilização da plataforma.
O que é a melhor execução e onde encontro a política da corretora?
A melhor execução é uma obrigação prevista no artigo 27(1) da Diretiva 2014/65/UE: uma empresa de investimento deve tomar todas as medidas suficientes para obter o melhor resultado possível para o cliente. Para um cliente de retalho, esse resultado é determinado sobretudo pela contrapartida pecuniária global — o preço do instrumento mais os custos diretamente relacionados com a execução. Encontras a política de execução de ordens na secção de documentos legais; verifica no rodapé a que empresa se refere e compara esse nome com o teu contrato. O relatório anual sobre os cinco principais locais de execução (RTS 28) deixou de ser obrigatório em todos os Estados-Membros que concluíram a transposição — a base jurídica, o artigo 27(6) da MiFID II, foi revogada pela Diretiva (UE) 2024/790, de 28 de fevereiro de 2024, com prazo de transposição até 29 de setembro de 2025, e a maioria dos Estados-Membros notificou medidas de transposição completa. Isso não é, porém, uma afirmação sobre toda a União: segundo a tabela da Comissão Europeia à data de 7 de agosto de 2026, cinco Estados — França, Países Baixos, Portugal, Roménia e Espanha — não tinham notificado quaisquer medidas de transposição, e a ESMA ressalvou que, até à data de transposição num determinado Estado, as empresas de investimento podem continuar obrigadas a publicar. Se a empresa estiver estabelecida num Estado que transpôs a norma, a ausência de relatório não é um sinal de alerta; se estiver num Estado que não a transpôs, a questão permanece em aberto. O que constitui um sinal de alerta, independentemente da jurisdição, é a ausência de uma política de execução de ordens ou uma política sem conteúdo. A situação jurídica e a tabela de transposição foram verificadas em 24 de agosto de 2026.
Que taxa de execução é aceitável numa corretora de retalho?
Não existe um único valor correto e este artigo não dá nenhum deliberadamente — para o mercado de retalho, não encontrei uma fonte primária que publique esse valor de forma comparável entre empresas. A taxa de execução depende do instrumento, da hora, do tipo de ordem, da dimensão da posição e das condições de mercado, pelo que uma leitura isolada, sem referência, nada significa. O que faz sentido é o procedimento: calcula a taxa de execução, a taxa de recotação e a taxa de rejeição como três categorias mutuamente exclusivas que somem 100%, separadamente para a sessão normal e para as janelas de divulgação de dados; depois compara com uma segunda conta com variáveis idênticas ou com a tua própria medição anterior. Nenhum limiar de dimensão da amostra resolve a situação — o motivo é explicado na resposta acima sobre o número de transações. Recolhe até os números deixarem de oscilar e compara amostras de condições comparáveis, tendo em conta as suas dimensões.
A qualidade de execução de quem estou realmente a medir — da marca ou de uma empresa concreta?
De uma empresa concreta. Assinas um contrato com uma pessoa coletiva que tem uma denominação completa, uma sede, um número de autorização e a sua própria autoridade de supervisão; uma marca é frequentemente servida por várias empresas deste tipo em diferentes jurisdições — com políticas de execução de ordens separadas. Verifica o nome no rodapé dos documentos legais, no formulário de abertura de conta e na confirmação da conta; esses três locais têm de apontar para a mesma entidade. Confirma-o de forma independente num registo: para a atividade no teu próprio país, no registo de entidades supervisionadas do regulador nacional e nas suas listas de notificações de empresas de investimento estrangeiras — na Polónia, por exemplo, é a pesquisa de entidades da KNF; para entidades da UE, nos registos da ESMA. A denominação da empresa é o campo n.º 1 do diário de medição, porque, sem ela, os teus números não têm destinatário: nem para uma reclamação, nem para uma comparação, nem para a supervisão.
É normal o spread alargar-se durante os NFP?
Sim — o alargamento do spread durante a divulgação de dados macroeconómicos importantes é natural e resulta de uma perda momentânea de liquidez. No EUR/USD, o spread pode aumentar uma ordem de grandeza nessa janela durante várias dezenas de segundos — não copies valores concretos de uma tabela alheia; obtém-nos do teu próprio registo de ticks para a tua conta e o teu símbolo. Isso não é manipulação da corretora, mas mecânica do mercado. O problema começa quando o spread alarga desproporcionadamente mais do que na concorrência ou não regressa ao normal durante vários minutos após a divulgação.
Como escolher entre Instant Execution e Market Execution?
O Instant Execution executa uma ordem ao preço pedido ou dentro do desvio máximo declarado e, fora desse intervalo, recota ou rejeita. Não é uma garantia de preço: dentro do desvio, recebes um preço diferente sem te perguntarem, e as ordens stop e os intervalos sem cotações também estão sujeitos a derrapagem neste modo. O Market Execution não gera recotações, mas não limita a derrapagem nem exclui a rejeição — a ausência de recotação não equivale à certeza de execução. Escolher um modo desloca o custo entre um preço pior e uma entrada perdida; não o elimina. Para um scalper em torno de dados macroeconómicos, uma entrada perdida pode ser mais cara; para um swing trader, a diferença é geralmente marginal. Verifica no contrato e na política de execução de ordens que modo se aplica à tua conta e qual o desvio permitido.

Fontes e bibliografia

Fontes lidas em: 23 de agosto de 2026; as referências [3], [4], [7] e [8] foram relidas e o texto das citações foi verificado em 24 de agosto de 2026. No mesmo dia, foi apurado o texto oficial do artigo 64 e do considerando 101 do Regulamento 2017/565 e inserido no texto sob a forma de citações literais, aqui reproduzidas em tradução a partir da língua original; ambos os endereços da referência [10] conduzem às disposições de onde provêm essas citações. As referências [13] e [14] foram acrescentadas em 24 de agosto de 2026. A numeração corresponde às remissões no corpo do artigo.

  1. Diretiva 2014/65/UE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de maio de 2014, relativa aos mercados de instrumentos financeiros (MiFID II), artigo 27 — obrigação de executar ordens nas condições mais favoráveis para o cliente e regra da contrapartida pecuniária global para um cliente de retalho. EUR-Lex, CELEX 32014L0065.
  2. Diretiva (UE) 2024/790 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 28 de fevereiro de 2024, que altera a Diretiva 2014/65/UE — artigo 1(4)(c) («é suprimido o n.º 6»), que revoga o artigo 27(6) da MiFID II, e artigo 2(1), que fixa o prazo de transposição em 29 de setembro de 2025. EUR-Lex, JO L de 8 de março de 2024.
  3. ESMA, declaração pública «Deprioritisation of supervisory actions on the obligation to publish RTS 28 reports in light of the agreement on the MiFID II/MiFIR review», ref. ESMA35-335435667-5871, 13 de fevereiro de 2024 — o texto do documento (PDF). Separadamente, para o texto que apresenta a data de 13 de fevereiro de 2024: a respetiva página de notícias da ESMA.
  4. Comissão Europeia, tabela das medidas de transposição da Diretiva (UE) 2024/790 por Estado-Membro — a maioria dos Estados-Membros pertence ao grupo que notificou medidas de transposição completa; segundo o estado da tabela em 7 de agosto de 2026, cinco Estados-Membros não tinham notificado quaisquer medidas de transposição: França, Países Baixos, Portugal, Roménia e Espanha. finance.ec.europa.eu.
  5. Regulamento (UE) 2024/791 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 28 de fevereiro de 2024, que altera o Regulamento (UE) n.º 600/2014 (MiFIR) — o novo artigo 39a: a proibição de receber remuneração pelo encaminhamento de ordens de clientes, a exclusão permanente dessa proibição para abatimentos e descontos nas taxas de transação no artigo 39a(1) e a derrogação transitória em vigor até 30 de junho de 2026. EUR-Lex, JO L de 8 de março de 2024.
  6. Regulamento Delegado (UE) 2017/576 da Comissão, de 8 de junho de 2016 (RTS 28) — normas técnicas para a publicação anual de informações sobre os locais de execução. O ato permanece no ordenamento jurídico, mas a sua base no artigo 27(6) da MiFID II foi revogada. EUR-Lex, CELEX 32017R0576.
  7. Dois documentos sobre o mesmo caso, apresentados deliberadamente em conjunto porque diferem no montante e na classificação. Valor preliminar: FXCM Inc., comunicado de imprensa «FXCM Comments on Swiss Franc Movement», 15 de janeiro de 2015 — saldos negativos de contas de clientes devidos à empresa de cerca de USD 225 milhões após a decisão do BNS de 15 de janeiro de 2015. globenewswire.com — o comunicado foi publicado como anexo 99.1 de um relatório de factos relevantes Form 8-K e o próprio anexo apresenta a data de 15 de janeiro de 2015; a data de 16 de janeiro no caminho desse endereço provém dos metadados de distribuição, não do conteúdo do documento. Dados finais: o relatório anual Form 10-K do exercício de 2016, apresentado à Securities and Exchange Commission dos EUA em março de 2017 por Global Brokerage, Inc. (FXCM Inc. até 24 de fevereiro de 2017) — USD 275,1 milhões de saldos devedores, cerca de USD 9,8 milhões recuperados, USD 265,4 milhões de perda líquida após recuperações referentes a 2015. sec.gov, EDGAR.
  8. Financial Conduct Authority, «News for customers of Alpari (UK) Limited» — o aviso de que a empresa foi colocada sob o Special Administration Regime em 19 de janeiro de 2015. fca.org.uk. O estado da entidade após a conclusão do processo — dissolvida em 7 de setembro de 2018, registo «Dissolved» — consta do registo britânico de empresas, número 05284142: Companies House.
  9. Markets Committee, Bank for International Settlements, «The sterling »flash event« of 7 October 2016», relatório publicado em 13 de janeiro de 2017. bis.org.
  10. Regulamento Delegado (UE) 2017/565 da Comissão, de 25 de abril de 2016, que complementa a Diretiva 2014/65/UE — artigo 64 (critérios de melhor execução) e considerando 101 (a condição para dar precedência a fatores distintos do preço e do custo imediatos). São duas disposições diferentes do ato: a citação sobre critérios provém do artigo 64(1), a citação sobre precedência do considerando 101. JO L 87 de 31.3.2017, pp. 1–83; o texto do artigo 64 segue a versão consolidada de 2 de agosto de 2022. EUR-Lex, versão consolidada; o texto publicado no Jornal Oficial.
  11. Um exemplo de registo nacional: a Autoridade de Supervisão Financeira da Polónia (KNF), a pesquisa de entidades supervisionadas e as listas de notificações de empresas de investimento estrangeiras que operam na Polónia. Cada Estado da UE e do EEE mantém um registo equivalente sob o seu próprio regulador — consulta o da tua jurisdição. knf.gov.pl.
  12. Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados, ESMA Registers — registos de empresas de investimento e locais de execução na União Europeia. registers.esma.europa.eu.
  13. ESMA, base de dados de perguntas e respostas, entrada ESMA_QA_2557, «Investment firms’ use of rebates and discounts to lower fees for clients under the payment for order flow (PFOF) prohibition»; resposta dada pela Comissão Europeia, publicada no sítio da ESMA em 3 de março de 2026; base jurídica aí indicada: artigo 39a(1) do MiFIR. Não indico a data de registo da própria pergunta, porque o sítio a apresenta num formato ambíguo. esma.europa.eu, ESMA_QA_2557. Referência acrescentada em 24 de agosto de 2026.
  14. ESMA, «List of EU Member States using the temporary exemption from the payment for order flow (PFOF) prohibition under the MiFIR review», ref. ESMA35-335435667-5923, 27 de março de 2024 — uma lista mantida ao abrigo do artigo 39a(2) do MiFIR. O único Estado na lista é a Alemanha, com data de notificação de 21 de março de 2024; o documento também indica o prazo de notificação — 29 de setembro de 2024. esma.europa.eu. Referência acrescentada em 24 de agosto de 2026.
O que não consta desta lista e porquê. Não existe um relatório RTS 28 atribuído a uma empresa registada fora da União Europeia: trata-se de um documento do regime da UE, e uma discrepância entre marca e entidade jurídica não se resolve com uma nota de rodapé. Não existem fontes secundárias — nem relatórios do setor, nem material de uma plataforma institucional que não é uma corretora de retalho nem uma referência para uma, nem um agregador de estatísticas de corretoras que apareça simultaneamente como fonte e como ferramenta recomendada no texto. Por fim, não existem documentos de consulta estrangeiros a substituir a base de uma afirmação sobre o mercado da UE: as fontes primárias são aqui o artigo 39a do MiFIR e as posições da ESMA e do teu próprio regulador nacional.

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Jarosław Wasiński

Editor-chefe, ForexMechanics.com • Analista macro e FX

Analista independente e profissional com mais de 20 anos de experiência nos mercados financeiros. Atua no Forex desde 2007, com foco em análise fundamentalista, estrutura do mercado OTC e gestão disciplinada do risco de capital.

  • Criador e editor-chefe do MyBank.pl, oferecendo educação financeira confiável desde 2004.
  • Autor de centenas de comentários de mercado aprofundados, análises estruturais e materiais educacionais para traders e investidores.
  • Defensor da transparência do mercado, promovendo uma educação baseada em dados concretos e relatórios institucionais (BIS, ESMA, CFTC).

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